COMO SURGIU O RESGATE DO CORPO DE BOMBEIROS

"Fico muito orgulhoso por ter sido o idealizador do Sistema Resgate do Corpo de Bombeiros, que a todo instante socorre e salva vidas pelas ruas do Estado de São Paulo. Foi no meu primeiro mandato como deputado estadual, iniciado em 1987, que comecei a trabalhar pela implantação do Resgate. Inicialmente, ele seria operado pela Secretaria Estadual da Saúde, através de médicos e enfermeiros socorristas.

Antigamente, as autoridades advertiam a população para que não tentassem socorrer nenhum ferido em acidente, sob o risco de piorar o estado de saúde da vítima. Quem ligasse para o 192, telefone de emergência da Prefeitura, ouvia a pergunta se a vítima pagava ou não INPS. Caso pagasse, deveria ser acionada a ambulância da Previdência Social, através de outro número de telefone. E, com esse empurra-empurra, muita gente morreu sem qualquer atendimento de urgência.

Tendo como inspiração o Serviço de Atendimento ao Usuário do Sistema Anchieta-Imigrantes, resolvi me dedicar à criação de um novo setor de emergências para as ocorrências nos centros urbanos. Profissionais da área viajaram a Paris, para conhecer o SAMU, e também aos Estados Unidos, onde esse trabalho é muito eficiente.

Para as primeiras experiências encontramos um grande entrave porque na época o pessoal da Saúde estadual estava em greve por melhoria salarial.

Lembrei-me, então, que no Rio de Janeiro os carros de recolhimento de cadáveres são operados por homens do Corpo de Bombeiros. Conhecedor da dedicação dos nossos bombeiros dos Grupamentos de Buscas e Salvamento, solicitei ao Comando da época a cessão de alguns deles para um trabalho experimental.

Bingo!! Foi o casamento perfeito. Alguns cursos a mais, a coragem e o desprendimento dos valorosos integrantes do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar e estava montado, oficialmente, o Projeto Resgate. Era governador Orestes Quércia, a quem indiquei a idéia. O Resgate acabou implantado anos depois, no Governo Fleury. Hoje, já transformado em Sistema Resgate, atende por dia, em todo o Estado, de 600 a 800 ocorrências, a um custo operacional baixo.

Pouca gente tem conhecimento de que a idéia do Sistema Resgate do Corpo de Bombeiros partiu desse repórter policial de 40 anos de carreira e deputado estadual por 20 anos. Esse projeto, que é a minha "menina dos olhos", utiliza viaturas e motos.

Sempre que vejo nas ruas as viaturas ou assisto pela TV a um atendimento do Resgate, não posso deixar de me emocionar... Na vida, infelizmente é assim: se eu não falo das minhas iniciativas, nenhum adversário ou inimigo ideológico o fará por mim.                                                                                         


AFANASIO PROPÕE HOMENAGEM

PÓSTUMA A BOMBEIRO-SÍMBOLO

O deputado estadual Afanasio Jazadji, vice-líder do PFL na Assembléia Legislativa, apresentou projeto de lei que dá o nome do recém-falecido coronel Hélio Barbosa Caldas ao edifício do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo, no bairro do Cambuci, na Capital, onde está sediado o 1º Grupamento de Busca e Salvamento.

Segundo Afanasio, o coronel Hélio Barbosa Caldas, nascido em Piraju, no Interior de São Paulo, em 20 de dezembro de 1934, e falecido em São Paulo, em 20 de junho deste ano, é um caso autêntico de defensor da população. “A atuação do coronel Caldas está ligada a dois grandes incêndios que ficaram na história da cidade de São Paulo, na década de 70: o do Edifício Andraus, em 1972, e o do Joelma, em 1974”, relembra o deputado Afanasio.

Na época, Caldas tinha sido promovido a capitão e passou a trabalhar no 1º Grupamento de Busca e Salvamento, no Cambuci, de onde partia para missões ousadas. Sua imagem e a de outros bombeiros ficaram associadas ao heroísmo: aquelas duas tragédias causaram muitas mortes, no centro da capital, mas poderiam ter sido maiores se não tivesse ocorrido uma ação tão rápida de bombeiros como Caldas. O coronel Caldas participou também de luta contra o fogo nos Edifícios Grande Avenida e da Cesp, na Avenida Paulista, e foi valente ainda na tentativa de resgatar vítimas das inundações no Vale do Ribeira, na década de 80. Afanasio disse esperar a adesão dos demais deputados a essa proposta de homenagem póstuma a um bombeiro-símbolo. (Agosto de 1999)

      


 

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