REENCONTRO APÓS 75 ANOS

No dia 24 de abril de 1986, em seu programa pela Rádio Capital de São Paulo, o comunicador Afanasio Jazadji batia um recorde mundial ao aproximar duas primas que não se viam havia 75 anos. Leia abaixo a transcrição da entrevista de Afanasio com pessoas da família. Este fato está registrado no Livro Internacional de Recordes.

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AFANASIO – Ouvintes, é com muita satisfação que nós temos a comunicar que na seção Gente Procurando Gente, o Programa Afanasio Jazadji acaba de bater talvez um recorde nacional, ou seja, nós propiciamos o reencontro de pessoas que não se viam há exatamente 75 anos, algo inédito na radiodifusão brasileira. E, nós estamos recebendo aqui várias pessoas e eu gostaria de começar falando com o senhor DELFINO GARCIA: Delfino Garcia é um funcionário público municipal, é do Serviço Funerário aqui de São Paulo, e ele esteve aqui na portaria da emissora há algum tempo atrás pedindo que fizéssemos um apelo pedindo que irradiássemos uma solicitação da senhora sua mãe, dona ANA MARCELA que mora na Vila Ré aqui na capital, zona leste da capital. Dona ANA MARCELA que não tinha notícias de uma irmã há 60 anos, dona ONÓRIA MARIA DA TRINDADE: É isso aí ô Delfino.

DELFINO – Corretamente sêo Afanasio, é isso daí. E ah, eu vim aqui na portaria e pedi prá que fosse irradiado e graças a Deus conseguimos alcançar esse êxito.

AFANASIO – Mas depois de 60 anos sua mãe então reencontrou uma irmã que não via.

DELFINO – Correto. Depois de 60 anos que ela veio encontrar essa irmã o qual foi maravilhoso.

AFANASIO – Mas quem é que ouviu o programa? Quem é que ouviu o programa e deu essa boa notícia prá vocês, ô Delfino?

DELFINO – Bom, quem ouviu o programa nesse momento foi a dona Efigênia, certo, que é filha da dona Onória. Ela ouviu o programa e passou para o marido dela, o Manoel, que entrou em contato comigo via fone né e aí nóis fomos encontrá-la.

AFANASIO – Certo, dona Efigênia, a senhora ouve normalmente o programa, diariamente o programa...?

EFIGÊNIA – Todos os dias.

AFANASIO – Sei, e o que que a senhora sentiu quando escutou que estávamos procurando dona Onória Maria da Trindade?

EFIGÊNIA – Ah eu senti, eu por mim parece que não era certo aquilo parece que eu tava sonhando tava num outro mundo, sei lá.

AFANASIO – Dona Onória é sua mãe?

EFIGÊNIA – Minha mãe.

AFANASIO – E a senhora não imaginava que tivesse uma tia?

EFIGÊNIA – Não imaginava.

AFANASIO – Não imaginava?

EFIGÊNIA – Não imaginava.

AFANASIO – E qual foi o seu procedimento ao ouvir pelo rádio o que que a senhora fez qual foi a primeira providência que a senhora tomou?

EFIGÊNIA – Ah ela não tava em casa a hora que eu ouvi o programa ela não tava em casa né.

AFANASIO – Sei.

EFIGÊNIA – Aí então eu esperei ela chegar, daí dei a notícia prá ela e falei só que parece que eu tô sonhando, não é certo.

AFANASIO – Sei.

EFIGÊNIA – E daí à noite nóis fomos ouvir, nóis duas.

AFANASIO – Ah, vocês ouviram de manhã e foram confirmar no programa da madrugada?

EFIGÊNIA – É.

AFANASIO – Ficaram acordados até de madrugada?

EFIGÊNIA – Ficamos acordados até...

AFANASIO – E aí, quando perceberam que era a dona Onória mesmo que estava sendo procurada como é que vocês se sentiram?

EFIGÊNIA – Ah, senti, nem sei, nem imagino viu.

AFANASIO – Isso depois de 60 anos então?

EFIGÊNIA – Foi.

AFANASIO – Depois de 60 anos.

EFIGÊNIA – Foi.

AFANASIO – Mas ouvintes, o importante é o seguinte. Dona Onória, efetivamente acabou localizando a irmã que não via há 60 anos. Só que após esse feliz encontro, houve um outro reencontro. E eu gostaria que o Delfino mesmo falasse. Um reencontro depois de 75 anos. Quer dizer, nós já havíamos batido esse recorde de 60 anos e acabamos então, junto a essa mesma família, batendo um novo recorde de 75 anos. Que que aconteceu Delfino?

DELFINO – É, aconteceu uma coisa, é tão bonita, tão linda, é maravilhoso de se falar.

AFANASIO – Sim.

DELFINO – Isso tudo graça ao vosso programa que é super ouvido, e chegue à casa da minha tia né, conversando com ela, trouxe ela prá ver a irmã, a prima-irmã né, dona Onória né, que depois a gente foi fazendo um, conversando, vendo, fazia uma base de 75 anos que elas não se viam.

AFANASIO – A dona Onória não via a prima.

DELFINO – Correto.

AFANASIO – Quem é a prima?

DELFINO – A prima é a dona IDALINA BARBOSA.

AFANASIO – Ah, dona Idalina Barbosa.

DELFINO – Dona Idalina Barbosa.

AFANASIO – Bom, elas estão todas aqui ouvintes. Eu gostaria primeiro de falar com a dona ANA MARCELA: Dona Ana Marcela, tudo bem?

ANA – Tudo bem graças a Deus.

AFANASIO – Satisfeita agora?

ANA – Ih demais.

AFANASIO – O seu filho nos procurou, certo, fizemos a transmissão, e a senhora acabou localizando a irmã que tanto queria ver, dona Onória.

ANA – Tanto queria ver que tinha noite que eu perdia até o sono, de tanto. Depois a gente teve uma emoção tão grande que, Ave Maria né.

AFANASIO – Sei. Dona Onória, deixa eu falar com a dona Onória. Ô dona Onória, como é que vai dona Onória, tudo bem?

ONÓRIA – Tudo bem, graças a Deus.

AFANASIO – Onde é que a senhora andou 60 anos sumida dona Onória?

ONÓRIA – No Paraná, fora.

AFANASIO – Onde é que a senhora mora lá no Paraná? Que lugar?

ONÓRIA – Eu morei em diversos lugar, muito lugar.

AFANASIO – Sei, sei. A senhora tem filhos, netos, como é que é a sua vida dona Onória?

ONÓRIA – Ah tinha bastante mas, é, tropicou tudo, não sei nem tenho quantos familiares ficaram.

AFANASIO – Certo, certo. Agora o que eu queria saber é o seguinte: Dona Onória, a senhora também acabou por via de consequência vindo então reencontrar uma prima que não via há 75 anos, a dona Idalina, que tá aí do seu lado. Ô dona Idalina, como vai?

IDALINA – Tudo bem graças a Deus.

AFANASIO – A senhora tem quantos anos?

IDALINA – Eu tenho só 88.

AFANASIO – Só 88?

IDALINA – É, por enquanto né.

AFANASIO – Ô, por enquanto, tá certo, que Deus a proteja dona. Dona Idalina, me diga uma, a senhora mora em que lugar?

IDALINA – Eu moro na Estrada de São Miguel, numa rua Colibri, numero 3-A.

AFANASIO – 3-A, rua Colibri, na Estrada de São Miguel. Certo. E a dona Onória, está morando onde atualmente dona Onória?

ONÓRIA – Tô morando, Jaçanã agora.

AFANASIO – No Jaçanã. A senhora tem quantos anos dona Onória?

ONÓRIA – 80.

AFANASIO – 80 anos, olha aí, dona Idalina 88, dona Onória tem 80, e a dona Ana Marcela, mora aonde?

DELFINO – É na rua Guapibiri, no Jardim Popular.

AFANASIO – Ah, no Jardim Popular. Vila Ré... Pôxa então vocês até que não moram muito distantes. A senhora, dona Ana Marcela com a dona Idalina moram próximas. Vocês se davam direitinho, não estavam perdidas não né?

ANA – Não não, não tava perdida.

AFANASIO – Ah, perfeitamente. Quer dizer então que a dona Onória que estava mesmo sumida. Dona Onória que estava desaparecida. Muito bem. E vocês três, dona Ana, dona Onória, dona Idalina, vocês também acompanham o programa sempre ou não?

ANA – Eu acompanho.

AFANASIO – A dona, a dona Ana acompanha. E a dona, e a dona Idalina?

IDALINA – Também, eu escuto todo dia de manhã eu escuto.

AFANASIO – Ah é? Sei. A senhora escutou quando nós estávamos procurando a dona Onória?

IDALINA – Escutei também. É, fiquei muito emocionada, fiquei. Fiquei levantei, fiquei andando sem saber o que acontecia. Por quê que veio me procurar prá levar onde ela estava né.

AFANASIO – Depois de 75 anos. E vocês estão contentes? 

IDALINA – Tô, eu estou.

AFANASIO – Tão contentes né. Tá bom. Ô dona Onória, e a senhora, tá contente em rever os parentes depois de tanto tempo?

ONÓRIA – Tô contente que nem acredito né 

AFANASIO – É né, não acredita né. Ok. Ô Delfino... Ah pois não. Ô Delfino valeu a pena né Delfino?

DELFINO – Valeu. Valeu mais...

AFANASIO – Valeu a pena depois de tanto tempo né?

DELFINO – Corretamente Afanasio. E a gente, nesse momento, eu quero dizer prá você que a gente está cheio de emoção, não só assim uma emoção pelo fato de encontrar elas que já é digno de maravilha, mas sim pelo fato de encontrar elas com saúde, com saúde né, perfeitamente com saúde e, sanidade mental, tudo. Quer dizer eu, a gente tá super contente com tudo isso né.

AFANASIO – Certo. E olha eu fico muito contente porque olha, veja só é um recorde que nós batemos aqui no programa. E quero crer que seja um recorde nacional, sei lá, talvez seja até muita pretensão dizer que é um recorde mundial. Mas isso, a gente que trabalha em rádio, a gente fica muito contente, porque é o tipo de trabalho que só mesmo o rádio pode propiciar. Só mesmo o rádio é que pode prestar esse tipo de serviço à comunidade. E nós ficamos muito satisfeitos por ter ocorrido esse reencontro de 60 anos e depois de 75 anos justamente aqui no nosso programa. Certo?

IDALINA – E nóis também fica muito contente de vocês fazerem isso prá gente também né.

AFANASIO – Ah, pois não dona Idalina. Muito obrigado viu. Muito obrigado. Olha eu desejo muita saúde prá vocês, certo. Que agora vocês não se, não se, não se distanciem mais também não é. As três amigas aí não é, de 80 anos, 88, a dona Ana tem quantos anos?

DELFINO – 78.

AFANASIO – A dona Ana tem 78. Então 78, 80 e 80 anos, 88 anos, não é. Então que vocês sejam muito felizes viu, e nós estamos sempre aqui às ordens, sempre à disposição. Uma vez mais o rádio prestou serviço, ajudando a encurtar distancias e a aproximar pessoas. Mais alguma coisa pode falar, pode ficar à vontade.

DELFINO – É, Afanasio, eu queria que aproveitar aqui a oportunidade, além de agradecer a vocês, e, a você e a toda a sua produção o pessoal todo né. A gente qué agradecer de coração e dizer que Deus abençoe. Deu dê muita saúde prá vocês. E vocês continuem sempre assim, porque o que nós precisamos é de gente que trabalhe para o povo e lute junto ao povo. Inclusive quero aqui nesse momento aproveitar esse ensejo, é, lançar o meu apoio à sua candidatura que, parece que você vai ser candidato a deputado né.

AFANASIO – Ok, Ok, muito obrigado viu. Muito obrigado.

DELFINO – E pedir a dona Efigênia queria falar uma coisinha.

AFANASIO – Pois não, pois não. Pode falar dona Efigênia.

EFIGÊNIA – Ah, que queria ver se eu conseguia encontrar meu irmão também.

AFANASIO – Ah, está sumido o seu irmão. Como é o nome dele?

EFIGÊNIA – Manoel Luis da Silva.

AFANASIO – E qual é a idade dele? Mais ou menos... A senhora não sabe. E ele está sumido há quanto tempo seu irmão dona Efigênia?

EFIGÊNIA – Há uns vinte anos né.

AFANASIO – Há uns vinte anos. A última vez ele estava onde hein? Em que lugar, em que cidade...

EFIGÊNIA – É, no Paraná...

AFANASIO – No Paraná também, certo. O nome dele como é que é? Repete outra vez, faz favor.

EFIGÊNIA – Manoel Luis da Silva.

AFANASIO – Ele era solteiro, casado.

EFIGÊNIA – Casado.

AFANASIO – E o nome da mulher dele? A senhora não lembra.

EFIGÊNIA – Ah, quando nós separamos ele tava separado da mulher né.

AFANASIO – Certo, certo, mas ele tem filhos? O nome dos filhos. Como é que seria os nomes dos filhos.

EFIGÊNIA – Ah o nome dos filhos dele nem lembro mais o nome deles, não.

AFANASIO – Certo. Bom, qualquer informação do seu irmão, quer dizer, pode entrar em contato com a gente aqui na rádio também, e vamos torcer prá que ele também apareça. Tá bom? Então a família depois de tanto tempo não é, uma família unida uma família bonita, não é? E a gente deseja que vocês sejam muito felizes, tá bom? Ok. Ouvintes, vamos encerrando. Quero crer que tenha sido sim, um recorde nacional, um recorde nacional, coisa que só mesmo o rádio pode fazer. Televisão não faz, ah, jornais não fazem isso, revistas muito menos. Então, eu agradeço uma vez mais a acolhida de vocês ouvintes, a credibilidade, a audiência, e está aqui, temos aqui os nomes, endereços, idades, tudo, para confronto, para checagens, porque a nós, a nós como profissionais é muito gratificante isso, e quero crer que prá essa família que sai daqui emocionada é muito melhor ainda, sabendo que pode contar, pode contar sempre a toda hora com seu amigo, com seu amigo “rádio”.

      


 

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