Homicídios aumentam no País

O Mapa da Violência no País, elaborado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, infelizmente indica que o Brasil não vem conseguindo reduzir os crimes contra a vida. Para se ter uma ideia, entre os anos 2000 e 2010, a taxa nacional de homicídios por 100 mil habitantes manteve–se estável, oscilando entre 26,2 e 26,7. E, nos últimos trinta anos – período em que foi assassinado cerca de 1,1 milhão de pessoas – ela cresceu preocupantes 124%.

Em 1980, a taxa era de 11,7 homicídios por 100 mil habitantes e em 2010, ela chegou a 26,2, sendo que para a OMS (Organização Mundial da Saúde) taxas superiores a 10 homicídios por 100 mil habitantes configuraram “violência epidêmica”.

Para o coordenador do levantamento, Júlio Jacobo Waiselfisz, “é como se tivéssemos matado, em três décadas, uma cidade inteira com uma bomba atômica”. Para se ter uma ideia da tragédia, vale lembrar que só treze municípios brasileiros têm população acima de 1 milhão de habitantes.

Esse levantamento é realizado anualmente com base em dados do Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde e do Sistema de Informação Estatística da OMS. Nas últimas edições, o estudo mostrou que, apesar de as taxas de homicídio terem permanecido estáveis ao longo da década de 2000, as ocorrências vinham se deslocando ao Sul e Sudeste para o Norte e Nordeste e dos grandes centros urbanos para pequenas e médias cidades do interior.

Em 2010 o levantamento mostrou  que a  tendência  de  desconcentração e interiorização da violência continua. Em São Paulo, por exemplo, a taxa de homicídios caiu de 42,2 para 13,9 entre 2000 e 2010 – uma redução de 67%, não obstante denúncias de “maquiagem” (manipulação para baixo) dos números reais.

No início da década, São Paulo tinha a quarta pior taxa do País. Já em 2010, tinha a terceira melhor, ficando atrás apenas do Piauí e de Santa Catarina. E, no Rio de Janeiro, a taxa caiu de 51 para 26,2, na década. No mesmo período, contudo, Alagoas assumiu o primeiro lugar no ranking de crimes mais violentos, seguido pelo Espírito Santo, Pará, Pernambuco, Amapá, Paraíba e Bahia.

Nesses Estados, a situação é considerada crítica pelo Mapa da Violência, mesmo porque, entre 2000 e 2010, os homicídios cresceram absurdos 329,7% no Maranhão e 332,4% na Bahia.

As mudanças também são consideradas expressivas quando consideramos somente as capitais. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a taxa de homicídio em 2010 foi de 13 por 100 mil habitantes, depois de ter chegado em 2000 a 64,8, o que representa uma queda de 79,9%. No mesmo período, a taxa de homicídios em Maceió passou de 45,1 para 109,9, por 100 mil habitantes, e a de João Pessoa pulou de 37,8 para 80,3.

O Mapa da Violência também registra uma tendência de crescimento dos índices de crimes violentos entre a população com idade entre 15 e 24 anos – o equivalente  a 18,6% da população brasileira: em 2010, foram mortas  201  mil  pessoas nessa faixa etária. A taxa de homicídios entre jovens é o dobro das taxas relativas a outras faixas etárias. Na década, aumentaram em 11,1% os crimes de morte contra jovens.

Já a tendência de deslocamento da violência tem sido atribuida ao surgimento de novos polos de crescimento econômico no País. Eles emergiram com peso e força no Nordeste, o que atraiu do narcotráfico e crimes correlatos, como a formação de milícias e de esquadrões de extermínio.

Os Estados onde houver redução das taxas de violência, segundo o estudo, foram aqueles que investiram na reforma das polícias, adotaram políticas comunitárias e melhoraram a qualidade dos serviços essenciais.

O Mapa da Violência é um instrumento importante para que governos estaduais e municipais formulem políticas públicas que combinem programas sociais e melhoria nos serviços públicos para setores carentes da população, muito mais susceptíveis à criminalidade.

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados