Os números da violência

Os números da violência no Estado de São Paulo, recentemente divulgado pela Secretaria da Segurança Pública, apresenta duas importantes informações: no primeiro semestre de 2011, os homicídios caíram 12% em território paulista e 28% só na Capital, em comparação com o mesmo período de 2010. Os latrocínios (roubos seguidos de mortes), no entanto, cresceram 12% na Capital, 30% na Grande São Paulo e 21% no Interior. Aumentou também o roubo (assaltos à mão armada) de veículos – 10% no Estado e 7,5% na Capital.

Na verdade, a taxa de queda nos homicídios já era aguardada, porque, nos últimos 16 anos, a tendência de redução desse tipo de crime só foi interrompida uma única vez, em 2009. Em 2010 foram registrados 10,47 assassinatos por 100 mil habitantes no Estado de São Paulo, e, no primeiro semestre de 2011, a relação caiu para 9,6 casos para 100 mil habitantes – na Capital, foram 8,5 homicídios por 100 mil, a menor taxa desde 1965. A média brasileira é de 25 assassinatos por 100 mil.

Desde o primeiro semestre deste ano, portanto, nosso Estado deixou de ser considerado “área de violência epidêmica”, como são designados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) os locais onde há mais de 10 homicídios por 100 mil habitantes.

Contando hoje com o mesmo número de policiais civis e militares do final dos anos 90, a Secretaria da Segurança fez o que especialistas recomendaram: implementação de políticas que envolvem maior articulação com as prefeituras; profissionalização   progressiva   das  guardas  municipais;  estratégias  de  prevenção integradas com entidades comunitárias, investimento em serviços de inteligência e maior utilização de tecnologias nas investigações.

E, para reduzir os homicídios, essa política estabeleceu três prioridades: 1) apreensão de armas de fogo, 2) combate ao narcotráfico através de operações conduzidas por departamentos especializados e planejadas com base em mapeamentos criminais online e intercâmbio de informações com outras polícias, e 3) combate ao consumo excessivo de álcool, especialmente nas cidades mais pobres da Grande São Paulo.

No caso dos latrocínios, a tendência de aumento desse tipo de delito foi atribuída, de forma escapista, a diferentes fatores: um deles associado ao crescimento do consumo de drogas, onde o número de viciados é cada vez maior, e, na concepção de nossas autoridades policiais, pelo menos aquelas baseadas no Gabinete do Secretário da Segurança, muitas vezes matam apenas para obter dinheiro para comprar droga.

Insisto em argumento escapista, fraco, irresponsável até, pois essa justificativa não se sustenta em absoluto. O homicídio, este sim, é difícil de prevenir, pois pode ocorrer de forma passional, dentro de casa, entre quatro paredes, portanto, impossível para a autoridade pública evitar. Mas o latrocínio, este não! Compete à Polícia estar nas ruas, nos pontos críticos, em diferentes horários, para, até mesmo com sua presença física, através de rondas especializadas, impedir que o ladrão atue e mate sua vítima. Aumento de latrocínios significa Polícia fraca, desorientada...

Já o aumento dos crimes contra o patrimônio – de 11,5% na Capital e de 6,4% no restante do Estado – não pode ser imputado pelos “teóricos” de Gabinete ao uso pela população de objetos pequenos de alto valor, como telefones celulares, iPads e laptops. Nossas autoridades estão sugerindo que as pessoas saiam peladas nas ruas? Só pode ser, para lançar justificativa tão frágil e melancólica para tamanha inoperância e incapacidade para conter a atuação dos ladrões.

A Polícia paulista anuncia que em breve adotará novos procedimentos – que não explicitou – para tornar mais eficiente o combate aos criminosos. As autoridades acreditam que só assim o número de prisões – cuja média anual é de 120 mil no Estado de São Paulo – baterá recorde.

Insisto: se o Governo festeja a queda na taxa de homicídios, deveria também ficar ajoelhado no milho pelo aumento dos latrocínios. A quem nossas autoridades querem enganar com tamanha cara envernizada?

           

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados