Bombas contra Bancos 24h

Os cada vez mais constantes ataques à bombas contra caixas eletrônicos ou Bancos 24 Horas, ATMs na sigla em inglês, tornaram-se dos problemas mais sérios de segurança pública no Brasil. As quadrilhas, formadas até por policiais militares da ativa, agiam inicialmente na Capital de São Paulo, mas de forma rápida passaram a atuar, também contra agências do interior de vários Estados.

São frequentes as investidas contra ATMs em postos de gasolina, grandes supermercados e pontos de parada às margens de rodovias. Invariavelmente as explosões acontecem à noite ou madrugada e muitas vezes o próprio dinheiro almejado pelos quadrilheiros é destruido pelo excesso do petardo ou então acaba inutilizado com a tinta cor-de-rosa que fica impregnado nele após o estouro do caixa.

Levantamento feito pelo Serviço de Inteligência da Polícia Militar de São Paulo indica que o número de roubos e furtos de caixas eletrônicos foi de 494, de 1º de janeiro a 17 de agosto, em todo o Estado, a maioria no interior. Em agosto (até o dia 17), foram 27 assaltos em municípios do interior, 6 na região metropolitana e apenas 2 na capital.

Segundo as autoridades, isso ocorre porque as áreas de comércio mais movimentadas da capital vêm sendo melhor vigiadas, com a Polícia Militar monitorando os locais mais visados nos horários de atuação das quadrilhas. Quinta-feira, por exemplo, é o dia da semana em que ocorrem mais assaltos e o período da manhã é o mais perigoso.

A Secretaria da Segurança Pública tem agido com certa eficiência, desarticulando quadrilhas e prendendo policiais suspeitos de envolvimento com esses assaltantes especializados em explodir Bancos 24 Horas. Ao todo, 13 policiais militares estão detidos. Falta, contudo, um melhor controle e vigilância de pedreiras e obras que utilizam explosivos, roubados em grandes quantidades pelos quadrilheiros.

Os arrombadores que antes usavam pés-de-cabra, maçaricos, marretas e outras ferramentas para esse tipo de furto, agora têm pressa e tudo fica bem mais fácil com o emprego de bananas de dinamite ou até mesmo de explosivo plástico.

Para o delegado-geral de Polícia de São Paulo, Marcos Carneiro Lima, “esse tipo de ação era comum no Nordeste há algum tempo, mas chegou rapidamente a São Paulo, tendo atingido o pico em maio deste ano”.

Nossa legislação exige que as empresas que utilizam materiais explosivos se registrem na Diretoria de Produtos Controlados do Exército e elas devem solicitar autorização àquele setor para a compra desses produtos, sejam nacionais ou importados. Mas cabe às empresas credenciadas a guarda dos materiais, devendo qualquer desvio ser imediatamente comunicado aos órgãos da segurança pública, o que muitas vezes é retardado ou nem mesmo acontece.

Relatório do Exército dá conta de que, no ano passado, 1,06 tonelada de emulsão de nitrato de amônia e de dinamite foi subtraída de pedreiras e de obras em execução nas estradas, volume 170% superior a 2009. Foram desviados também 11,7 quilômetros de cordel detonante, além de 568 espoletas.

No Rio Grande do Sul foram furtados 373 kg de emulsões explosivas, sendo 273 kg de uma só vez em novembro de 2010, colocando em alerta toda a polícia gaúcha. Alagoas veio em segundo lugar, com o furto de 300 kg. O informe do Exército não inclui cargas de explosivos roubados em rodovias e depois recuperadas.

A verdade é que nem sempre os ladrões tem o conhecimento necessário para manejar explosivos e a imperícia ocasionou o fracasso de muitos ataques. Algum tipo de treinamento militar ajuda os criminosos, e por isso não admira que muitos PMs ou ex-militares estejam envolvidos. Não se tem notícia de acidentes pessoais com os bandidos quando do manuseio dessas bombas antes de alguma investida.

A Polícia tem dedicado investigação nas empreiteiras e empresas que exploram pedreiras e outras atividades que empregam explosivos e já descobriu que a segurança de todas elas é quase nula no tocante à guarda de tão importante quanto perigoso material. As autoridades esperam partir da fonte para chegar aos usuários finais para evitar mais ataques.

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados