Crack e as mentiras oficiais

Safados e incompetentes! Mentirosos e inconsequentes! Pulhas e irresponsáveis! É o mínimo que se pode dizer para classificar políticos e mandatários de todas as esferas que só prometem, discursam, enganam, empurram com a barriga e, com isso, ao invés de solucionar, agravam ainda mais o problema das cracolândias que se multiplicam pelo país, a partir da principal e maior delas, a da capital paulista, na antiga Boca do Lixo.

Estamos no século 21. O homem já foi tantas vezes à lua que só falta instalar lá um conjunto habitacional, e mesmo assim, aqui em São Paulo, governos e governantes se sucedem e não há um político com sensibilidade, para não dizer peito, para acabar de vez com essa patifaria à céu aberto.

Vergonha! Promessa de campanha eleitoral, o atendimento às vítimas do crack ainda é projeto em estudo no Ministério da Saúde. Isso mesmo: ainda estudam o caso como se fosse algo que tivesse aparecido em nossas vidas há 15 ou 30 dias... O Ministério da Saúde promete criar este ano uma rede nacional destinada ao usuário de crack e outras drogas.

Para tanto, o atual ministro da Saúde estaria conversando com governadores, prefeitos e secretários da saúde de estados e municípios. E o órgão não tem vergonha de distribuir nota com esse teor  à imprensa. Vergonha   na   cara,  gente!  Isso   tudo   era   para   ontem,  meses  atrás,  anos  passados... Pelo exposto, para simplificar, quer dizer no popular que nossas autoridades públicas ainda não têm nada, não sabem como fazer, ou nem mesmo como encarar o gravíssimo problema...

Fala-se que a presidenta Dilma quer lançar a tal rede de atendimento junto com os resultados de uma pesquisa nacional sobre usuários de crack realizada pela Fiocruz, do Rio de Janeiro. Esse levantamento busca mapear quem e quantos são os consumidores de crack. Para Dilma, “não faz sentido o governo divulgar uma radiografia do problema sem um conjunto de medidas para enfrentá-lo”.

A pesquisa custará R$ 6,9 milhões e foi financiada pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), vinculada ao Ministério da Justiça. A ação, faz parte do pomposo Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e a outras Drogas, lançado em maio de 2010 pelo então presidente Lula.

A verdade é que em um ano e dois meses, o plano pouco avançou. Em fevereiro, Dilma participou de solenidade para anunciar a criação de 49 Centros de Referência em Crack e Outras Drogas, em parceria com universidades públicas. O objetivo anunciado era de capacitar 14 mil profissionais de saúde e de assistência social para lidar com viciados e familiares. Até agora, nem a Senad sabe informar se tais cursos já começaram.

O plano destinou R$ 410 milhões para vários ministérios. A Senad informou   que   recebeu  R$ 100  milhões,  dos  quais  R$ 80,2  milhões  já  teriam  sido   empenhados. Isso tudo significa dizer que dinheiro é o que não falta. São mesmo as autoridades, seus apaniguados e maus conselheiros que não se entendem e continuam batendo cabeça...

Aqui em São Paulo, tudo o que diz respeito ao crack, seu surgimento e avanço, na Capital, é emblemático. Prefeitos e governadores foram empurrando com a barriga tudo o que diz respeito à ocupação do bairro de Santa Ifigênia pelos traficantes e viciados em crack, em atitudes contemplativas, para não dizer coniventes...

A antiga romântica “boca do cinema” foi ocupada inteiramente pelos craqueiros e seus fornecedores, dia e noite, todos os dias da semana. Políticos inescrupulosos ainda tentam reverter o nome do bairro para Nova Luz, mas essa denominação não pega nem a pau. É cracolândia mesmo. E ponto.

Quando, em 2002, o governador Geraldo Alckmin, demagógica e criminosamente, em oito segundos, colocou abaixo todo o complexo prisional da Casa de Detenção, no Carandiru, ainda sugeri que um dos pavilhões fosse mantido para ser transformado em hospital para tratamento de drogaditos, mas nada valeu. Falava mais alto a propaganda fácil do politicamente correto e o médico anestesista, governador de plantão, colocou tudo abaixo. Não construiu nem hospitais e muito menos outros presídios.

A população vai se lembrar muito desses “humanistas” nas próximas eleições...

 

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados