Drogas nas escolas

Pesquisa realizada no ano passado pela Secretaria Nacional Antidrogas, órgão do Ministério da Justiça, apontou que um em cada dez estudantes havia consumido algum tipo de droga nos 12 meses anteriores. E esse índice era maior entre alunos de escolas particulares (13,6%) do que de públicas (9,9%).

O levantamento foi feito nas 27 capitais, com entrevistas de cerca de 50 mil alunos do ensino médio e das séries finais do ensino fundamental. Apurou-se que em 2004, ano em que havia sido realizada a pesquisa anterior, 19,6% dos entrevistados disseram ter usado drogas pelo menos uma vez nos últimos 12 meses. Em 2010, esse índice caiu para 9,9%. Nesse período, o único percentual que subiu foi o consumo de cocaína: de 1,7% para 1,9%.

No caso da maconha, a queda foi de 4,6% para 3,7%. Apesar da aparente redução no consumo, a coordenação da pesquisa sobre como educadores e escolas tratam do tema drogas, acredita que a rede pública de saúde não tem estrutura – número de leitos nem profissionais – para atender a juventude brasileira viciada em drogas.

Portanto, preocupa as escolas o consumo de drogas por estudantes, o que já se torna um desafio para educadores de todo o país. Mas admitem que é difícil lidar com o problema e que as redes de ensino não  estão  preparadas para isso. 

O programa de prevenção dos ministérios da Educação e da Saúde, em parceria com a Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) está presente em apenas 1.255 municípios – 22% do total. E uma das principais ações é oferecer formação específica a professores de escolas públicas.

Essa preparação é feita por meio de cursos à distância, com duração de 120 horas. A estratégia, porém, só atingiu 30,7 mil docentes, o que corresponde a 2% do total de profissionais de ensino fundamental e médio na rede pública de ensino do país.

A coordenadora do Programa Saúde na Escola por parte do MEC (Ministério da Educação), Marta Klumb, informou que o diálogo é a chave para abordar o tema. E que os professores devem criar um vínculo de confiança com os jovens. Marta é contra a suspensão de estudantes flagrados usando drogas. E explica:

- O aluno que faz uso de drogas não deve ser expulso da escola. Ele precisa ser acolhido e tratado.

A coordenadora enfatiza a importância de que os profissionais de educação sejam preparados para enfrentar o assunto sem tabus. Para isso, segundo ela, é necessária uma boa dose de conhecimentos científicos: desde o prazer que as drogas proporcionam até as consequências danosas à saúde e ao projeto de vida de cada   jovem. Mas  tudo  na  medida, para  não  despertar  a  curiosidade  daqueles  que  nunca usaram drogas. 

Em Brasília, a professora da Universidade de Brasília (UnB), Margô Karnikowski, coordenou uma pesquisa em escola pública com o objetivo de descobrir como educadores e profissionais da saúde devem enfrentar a questão das drogas nos colégios. Ela ficou surpresa com o alto grau de informação dos alunos acerca dos efeitos das substâncias e mesmo de questões legais, como a quantidade de maconha ou de cocaína que diferencia porte para o consumo próprio e tráfico propriamente dito.

Fala a professora Margô: “É pouco efetivo querer ensinar coisas que eles sabem melhor do que a gente. O que se tem que fazer é discutir alternativas. Mas não é um problema de solução fácil, do tipo faz isso ou aquilo. Precisamos manter as crianças na escola a partir do esporte, da realização de cursos técnicos profissionalizantes. Dar oportunidades, criar nichos saudáveis de lazer, onde todos possam se divertir”.

Para ela, no entanto, a atuação dos professores tem limites e que o problema das drogas envolve outras esferas do poder público, além, é claro, das próprias famílias e da comunidade em que vivem. Há, ainda, o problema da permanência de traficantes nas imediações das escolas, o que é caso de Polícia. Durante os governos Mário Covas, em São Paulo, a Secretaria Estadual de Educação proibia que policiais civis entrassem nas escolas públicas, infiltrando-se entre os estudantes, para detectar entre traficantes próprios alunos que faziam essas vezes para grupos organizados. Só essa  intransigência  do  governador  tucano  alavancou a  ação de narcotraficantes em escolas de todo o estado de São Paulo.

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados