Spice, a maconha sintética

O relatório sobre drogas mais importante da ONU (Organização das Nações Unidas) aponta um aumento de 442% na quantidade de cocaína apreendida na Europa após passar pelo território brasileiro. Em 2009, as autoridades européias apreenderam 1,5 tonelada de cocaína em poder de traficantes que tinham saído do Brasil.

O número está bem acima dos 339 quilos de cocaína com a mesma origem apreendidos pela polícia européia em 2005, data usada como base para a comparação. Com isso, o Brasil passou a ser a terceira principal rota do tráfico de cocaína para a Europa, atrás apenas de Venezuela e Equador.

O aumento do volume da droga apreendida corresponde também ao crescimento do número de carregamentos interceptados. Em 2005, foram interceptados na Europa 25 carregamentos de cocaína enviados para lá pelo Brasil. Em 2009, esse número subiu para 260, dez vezes mais.

Segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), os números indicam mudança na estratégia do narcotráfico internacional. As grandes quadrilhas estariam pulverizando a distribuição da droga no mercado mundial.

Boa parte da cocaína apreendida estaria em pacotes de 10 a 15 quilos   escondidos   nas   bagagens   de   pessoas  cooptadas  pelo  narcotráfico (mulas). Algumas dessas pessoas são presas, mas outras passam. É uma estratégia cínica. Os mulas pagam com a prisão. Com os traficantes não acontece nada, eles continuam faturando alto com a venda das drogas.

O relatório também aponta aumento expressivo do volume de cocaína apreendida dentro do Brasil. Um terço da cocaína consumida em toda a América do Sul é do Brasil. Em 2004, a Polícia Federal apreendeu 8 toneladas de cocaína. Em 2009, este número aumentou para 24 toneladas. Está, portanto, evidente, o aumento do tráfico e também o consumo de cocaína no país.

Uma das explicações para essa mudança é que, com o aumento da repressão no México e em outros países da América Central, as rotas do narcotráfico estariam se deslocando para países como Brasil, Argentina e Chile, entre outros.

O Brasil está em oitavo lugar no ranking dos países com o maior volume de apreensão de cocaína em seu próprio território. Em 2009, o país aparece como responsável pelo recolhimento de 3% da cocaína em circulação no mercado mundial. No topo desta lista estão Colômbia, com 35% da droga apreendida, Estados Unidos (15%), Equador (9%) e Panamá (52,6%).

Pelas estimativas da ONU, o Brasil tem aproximadamente 900 mil usuários de cocaína ou de derivados de coca, como o crack. Em números absolutos, é o maior contingente de consumidores na América do Sul. Mas, se comparados com o número de habitantes, o Brasil está abaixo da Argentina, Chile e Uruguai.

O relatório também informa que houve uma redução no volume da maconha apreendida. Em 2008, foram apreendidas 187 toneladas de maconha. Em 2009, esse número caiu para 131 toneladas. Para a ONU, tudo indica no entanto que não houve redução no consumo da droga, pois a maconha continua ainda como a droga mais popular no mundo.

O delegado da Polícia Federal Márcio Nunes confirmou também a chegada da spice, a maconha sintética no Brasil. A spice é apelido dado ao THC, princípio ativo da maconha isolado em laboratório, e adicionado a um líquido. Os usuários da droga costumam pingar gotas de spice em cigarros comuns. Os efeitos seriam os mesmos de um cigarro de maconha. Na Europa, a droga é livre e estaria sendo vendida até na internet.

O relatório também mostra que 210 milhões de pessoas, cerca de 4,8% da população mundial com idade entre 15 e 64 anos, consumiu ao menos uma droga ilícita em anos anteriores. Já o uso problemático de drogas atingiu 0,6% da população nessa faixa etária. Isso tudo é muito preocupante. Famílias que têm entes queridos como dependentes e escravos do tráfico já não sabem mais a quem apelar. E ainda assim, como se atuasse em outra galáxia, os ministros do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, acolhem, autorizam e só faltam aplaudir movimentos populares como propaganda à liberação e uso das drogas entre nós.

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados