Trânsito mata mais que armas

Preocupante constatação: o risco de um jovem morrer no trânsito é maior na capital paulista do que em qualquer outra metrópole brasileira. Não obstante a cidade de São Paulo registre queda de 9% nos chamados acidentes de transporte entre 1998 e 2008, os números ainda estão altos. Em outras palavras: os moradores da capital de São Paulo correm mais perigo de morrerem em desastre com veículo do que sendo vítima de homicídio.

De acordo com o Mapa da Violência de 2011, os óbitos em acidentes de trânsito entre a população brasileira passaram de 30.994 em 1998 para 39.211 em 2008, um salto de 26,5% - no universo jovem, o crescimento foi de 32,4%. Na faixa dos 20 anos, o aumento foi ainda maior: 43,7%. A taxa de óbitos entre os jovens de 20 anos chegou a 34,6 por 100 mil, ante 27,1 por 100 mil dez anos antes.

Em 2008, morreram diariamente 107,1 pessoas vítimas de acidentes de trânsito em todo o País – dessas, 24,3 eram jovens; 82,8 não jovens. Os acidentes de transporte representaram 19,3% dos óbitos juvenis no Brasil. No Estado de São Paulo, o índice chegou a 26,7%, superando o de homicídios na região (24,4%). Apenas em Roraima, Tocantins, Piauí e Santa Catarina, o fenômeno se repete – mais jovens mortos em desastres de trânsito do que em homicídios.  Entre  os  não  jovens, os  acidentes  de  transporte  foram  0,9% dos óbitos.

Os dados levantados pelo Mapa da Violência 2011 também indicam que, a partir de 2004, há crescimento da vitimização juvenil, ou seja, mais jovens que adultos morrendo em acidentes viários. Em 2008, o Índice de Vitimização, que relaciona as taxas de óbitos entre jovens com as de não jovens, foi de 131, o que indica que morreram 31% a mais de vítimas jovens. Na cidade de São Paulo, a vitimização juvenil foi de 63,8%, a maior entre as capitais. Santa Catarina liderou entre os Estados (57,2%). 

Para os técnicos de trânsito, uma série de fatores explica o aumento da vitimização juvenil: “A fiscalização não alcança o nível que deveria e há outras questões, como o abuso de álcool, a facilidade de acesso a carros e a utilização de motocicletas, que são mais arriscadas”.

O fator “moto” também aparece ao analisar as cidades do País que lideram em mortes no trânsito. Barbalha, na região do Cariri, a 503 km de Fortaleza, está no topo do ranking da população em geral em casos de mortes, com 207,6  casos por 100 mil habitantes. Acaraú, que fica no litoral oeste, é campeã entre a população jovem (de 15 a 24 anos), com 280 mortos por 100 mil habitantes.

“No interior, o vaqueiro e o agricultor trocaram o cavalo pela moto, fato que agrava mais ainda o número de acidentes”, informa o presidente do Conselho Estadual de Trânsito (Centran), Luiz Tigre. De 2004 a 2010, a frota de duas rodas cresceu 128,4%, passando de 282,8 mil para 644,9 mil unidades.

Na Capital paulista, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) relaciona a grande participação dos jovens entre as vítimas do trânsito com a explosão da frota de motos. Metade dos acidentes de trânsito cujas vítimas tinham entre 18 e 29 anos envolveu motocicletas.

Para o diretor de Planejamento da CET, Irineu Gnecco Filho, “Não são motofretistas. São jovens que usam a moto como meio de transporte e estão menos preparados”. Apesar do quadro alarmante, o número de mortos vem sendo reduzido em 5% por ano.

Mesmo assim, diariamente as marginais em São Paulo e as grandes avenidas apresentam acidentes de tráfego envolvendo motociclistas, geralmente com mortes. Houve até tentativa da Prefeitura em tentar disciplinar o tráfego das motos pelo centro da capital, com a criação de corredores exclusivos na Avenida da Liberdade, por exemplo, mas essas faixas foram consideradas inconstitucionais pela Justiça, embora ainda não tenham sido desativadas.

O que ocorre no nosso trânsito, nas ruas, avenidas e estradas, chega a ser uma carnificina. E mesmo assim não se vê por parte das autoridades nenhum movimento ao menos em campanhas educativas para a prevenção de tantas mortes e deformidades permanentes. É inconcebível !

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados