Jovens são mais assassinados

Relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informa que 38% dos adolescentes do Brasil vivem em situação de pobreza e são o grupo etário mais vulnerável ao desemprego, à violência e até à degradação ambiental, entre outros indicadores de redução da qualidade de vida.

O documento afirma que 81 mil adolescentes brasileiros de 15 a 19 anos foram assassinados entre 1998 e 2008. Segundo o texto, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de homicídios de jovens, o que para nós é um número muitíssimo preocupante, para não dizer vergonhoso.

Na contramão do que acontece nos demais países, inclusive em nações mais pobres, no Brasil o número de adolescentes assassinados é bem maior que o número de adolescentes mortos em acidentes de trânsito e outras causas violentas.

Segundo o coordenador do Programa de Cidadania dos Adolescentes do Unicef no Brasil, Mário Volpi, os adolescentes brasileiros estão mais expostos à violência do tráfico de drogas, às falhas das políticas de segurança e, em algumas vezes, à pobreza:

- O número de mortes violentas de adolescentes no Brasil é desproporcional em relação a qualquer outro país.

O Unicef  faz  um  apelo  para  que  o  governo  invista  na  criação  de programas de saúde, educação e segurança voltados especialmente para adolescentes. Pelos dados da ONU (Organização das Nações Unidas), o Brasil tem 33 milhões de adolescentes entre 10 e 19 anos.

“Em consonância com o relatório mundial, a situação dos adolescentes no Brasil demonstra que atualmente as oportunidades para sua inserção social e produtiva ainda são insuficientes, tornando-os o grupo etário mais vulnerável a determinados riscos, como o desemprego e subemprego, a violência, a degradação ambiental e redução dos níveis de qualidade de vida”, diz trecho do relatório.

Numa análise mais detalhada, o relatório mostra que, em termos proporcionais, os adolescentes negros são mais atingidos pelas desigualdades sociais. “As crianças e os adolescentes afrodescendentes são os mais afetados pela pobreza, elevando esse número (de adolescentes pobres) para 56%”, diz o Unicef.

O Fundo chama atenção também para o crescimento dos casos de gravidez na adolescência. Em 1998, foram registrados 27.237 nascimentos de mães de 10 a 14 anos. Em 2008, esse número subiu para 28.479. Mais da metade das crianças que se tornam mães vivem no Norte e Nordeste, onde estão algumas das cidades com os mais altos índices de prostituição infantil.

“As complicações relacionadas à gravidez e ao parto estão entre as principais causas de morte de meninas de 15 a 19 anos de idade em todos os lugares do mundo”, destaca o relatório.

O Unicef recomenda que o governo brasileiro crie medidas direcionadas aos adolescentes. Uma das sugestões é ampliar o ensino médio, que hoje estaria voltado exclusivamente para preparar os jovens para o mercado de trabalho.

Para o Unicef é importante que as escolas ofereçam também opções de cultura, esporte, lazer e conteúdos que reforcem a cidadania. O Unicef sugere ainda que a rede pública de saúde ofereça serviços médicos específicos para adolescentes.

Em recente encontro de educadores de escolas públicas e particulares na USP (Universidade de São Paulo), muitos criticaram o governo federal por não fazer um controle profilático, que não pode ser confundido com censura, junto às emissoras de televisão que produzem e apresentam novelas.

Para muitos educadores, “a licenciosidade que assiste nas telinhas da TV desautoriza principalmente pais de baixa escolaridade no encaminhamento correto dos seus filhos, especialmente meninas”.

Como se vê, o assunto é muito sério. A abordagem do Unicef é perfeitamente válida e deveria ser levada em conta, com bastante responsabilidade pelos nossos governantes. A sociedade agradeceria.

 

Voltar ao índice de artigos

      


 

AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados