A Polícia Civil em baixa

Por mais que algumas mudanças tenham sido feitas na área da nossa segurança pública, problemas sérios ainda persistem, principalmente no âmbito da Polícia Civil, tão desprestigiada pelos governos tucanos.

Como a remuneração dos delegados paulistas é a terceira mais baixa do País, ficando atrás apenas do Pará e de Minas Gerais, a instituição vem sofrendo debandada de autoridades policiais, que prestam concursos públicos em outros estados, onde são mais reconhecidos.

Só para se ter uma idéia a que relegaram a carreira de delegado de polícia em São Paulo, dos 180 delegados que ingressaram na carreira em 2009, 34 já foram embora, o que equivale a um entre cada cinco.

E mesmo com os governantes desmentindo, é óbvio que tudo isso repercute no atendimento à população, a partir do serviço nos plantões policiais de distritos da Capital e Grande São Paulo e delegacias do interior.

Esse flagrante aviltamento dos salários da Polícia Civil é um problema antigo, mas que se agravou no governo desastrado de José Serra na área de segurança. Atualmente, um delegado em começo de carreira recebe cerca de R$ 4.500,00, desde que esteja trabalhando em cidade com menos de 500 mil habitantes, e R$ 5.800,00, se trabalhar em cidade com população maior.

Já a Polícia Federal, para os delegados do mesmo  nível  hierárquico, paga pouco mais de R$ 14.000,00. E mesmo assim, o policial pode ser designado para atuar em qualquer estado do Brasil, tanto nas capitais como nas regiões de fronteira.

Vale dizer que além de problemas administrativos, a debandada de delegados paulistas acarreta prejuízos financeiros para o governo estadual. É que um candidato a delegado de polícia, quando aprovado no concurso de ingresso, antes de assumir o posto, passa por um curso de preparação de um ano na Academia de Polícia “Coriolano Nogueira Cobra”.

Isso simplesmente significa que com as despesas do processo de recrutamento e do período de treinamento profissional, o governo paulista gasta, em média, cerca de R$ 100 mil, por delegado. E, como com esse treinamento os delegados novatos adquirem preparo necessário para disputar concursos nos Estados que pagam salários mais altos, o governo estadual paulista sofre duplo prejuízo: fica sem os serviços dos profissionais que forma e ainda custeia a instrução dos delegados de outros estados.

A corrupção que impera no meio policial civil, queiram ou não nossas autoridades, tem sim relação direta com o aviltamento salarial e à desmotivação dos seus integrantes. Haja vista que ano passado apenas, 219 policiais civis foram demitidos a bem do serviço público – cerca de três vezes mais do que o número de demissões do ano anterior. Nessa lista, estão delegados, escrivães, investigadores e agentes, envolvidos nas mais variadas irregularidades.

Atualmente, cerca de 900 policiais civis estão sendo investigados pela Corregedoria Geral, suspeitos de manipulação de boletins de ocorrência, fraudes na lacração de veículos, cobrança de propina, envolvimento com o crime organizado e facilitação de tráfico de drogas.

Alguns líderes sindicais das carreiras policiais civis denunciam parcialidade no atual comando da segurança pública. Segundo eles, o aumento do número de exonerações e de investigações pela Corregedoria, seria uma estratégia para enfraquecer politicamente a Polícia Civil, facilitando sua unificação com a Polícia Militar.

O atual governo, a bem da verdade, já transferiu para a PM algumas atribuições que eram exclusivas da Polícia Civil, como o registro de ocorrências. Comenta-se que, nos bastidores, o governo estaria preparando um projeto de unificação das polícias ainda para este ano, aproveitando sua maciça maioria de deputados na Assembléia Legislativa, que aprovaria tudo sem maiores discussões. Como se vê, a briga só está começando, e promete ser sangrenta e arrastada... Coitado do povo!

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados