O PCC continua atuante

Palavras do secretário da Segurança Pública do Estado, Antonio Ferreira Pinto, sobre o Primeiro Comando da Capital, o famigerado PCC:

“Pelas informações que temos, pelo poderio da facção, que diminuiu sensivelmente, temos total controle da situação e digo com absoluta certeza que não há clima para que uma onda como a de 2006 possa repetir-se”.

Só para lembrar: em 11 de maio de 2006, o governo estadual isolou 765 presos do PCC na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, e o secretário de Administração Penitenciária de então, juiz Furukawa, ainda suspendeu as visitas no Dia das Mães.

Foi o estopim para uma rebelião em 74 unidades prisionais do Estado e o início dos ataques contra as forças de segurança de São Paulo. Os atentados deixaram 43 mortos no Estado, entre policiais civis e militares, agentes penitenciários e guardas-civis.

Foi uma verdadeira carnificina. A Polícia Militar, a contragosto do governador da época, Cláudio Lembo, respondeu aos ataques e, segundo as Ouvidorias das polícias, 493 bandidos e suspeitos foram mortos entre os dias 12 e 20 de maio de 2006.

Lembo, intimidado pelo crime organizado, despachou um delegado de polícia e um coronel da PM até a penitenciária onde estava recolhido o cabeça do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, para que negociassem o encerramento dos ataques. Marcola fez várias exigências, todas atendidas de imediato, vale dizer, e, através de um telefone celular, na frente das autoridades policiais, determinou o fim das rebeliões e atentados.

Em 1997, quando presidia na Assembléia Legislativa a CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito que investigava o avanço do crime organizado em São Paulo, fiz publicar no Diário Oficial do Estado, nos dias 15 e 20 de maio, o estatuto do PCC. Como agora, o secretariado de Mário Covas desdenhava a existência do grupo criminoso e também afirmava, em documentos oficiais, que “tudo estava sob controle” e que “o PCC era invenção da imprensa sensacionalista”.

Estranha, agora, que o secretário da SSP, Ferreira Pinto, diga que o PCC “se resume a 30 homens”, querendo fazer crer à população que a temida facção esteja extinta. Ele contradiz, por exemplo, seus colegas do Ministério Público que afirmam que a organização “possui 21 mil membros e controla 95% das cadeias”.

Que a sociedade paulista não se deixe levar por declarações inconsequentes e que os responsáveis pela nossa (in)segurança atuem com mais dedicação e profissionalismo mesmo porque, depois de subjugar o governo Lembo e outros de tucanos que o sucederam, a organização criminosa manteve-se mais atuante do que nunca, chegando a instalar, aqui fora, os chamados “tribunais do crime”, onde julgam  e  de  imediato  aplicam   penas,  geralmente   à  morte,  de   membros  que  não  cumprem as ordens dos chefões atrás das grades.

A posição do secretário da Segurança, que demonstra estar perdido e desinformado quanto às atividades do PCC, é contestada além do Ministério Público, pela Pastoral Carcerária e entidades que defendem agentes penitenciários. É gritante e plenamente visível a influência do grupo nas prisões paulistas, e sua crescente atuação também na periferia e municípios da Grande São Paulo.

A estratégia governamental de simplesmente ignorar a existência da facção entre nós é perigosa, infantil e altamente prejudicial, como já se viu anos atrás. Nos bastidores o que funcionários comentam é que “a ordem é fazer vista grossa para o PCC, a fim de que a cadeia não vire (haja rebeliões)”. Daí, talvez, o fato de não se ouvir mais que drogas têm sido apreendidas com visitas, ou mesmo o transporte de telefones celulares para dentro das cadeias.

Já no Palácio dos Bandeirantes, fala-se que o governador Geraldo Alckmin simplesmente se transforma ao ouvir falar nas atividades do PCC, que sempre lhe deram trabalho e prejuízo político em suas outras passagens pelo Governo do Estado. Que sua repulsa não signifique um afrouxamento sobre a facção, mas motivo de combate intenso e diuturno. Sem acordos.

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados