Obama mentiu sobre Osama

Todo o episódio foi muito estranho. E ainda continua cercado de bastante mistério. Êta historinha mais mal contada essa da localização e morte do sanguinário terrorista Osama Bin Laden. A única coisa séria mesma dita pelo presidente dos EUA, Barack Obama, ao anunciar para o mundo o “grande feito” de suas tropas especiais foi chamar a atenção de “todos os americanos, que moram ou estejam no exterior, para que tenham a maior cautela”.

Reconheceu ele o estado de beligerância com o terrorismo, embora não saiba de onde virá ou virão as represálias. Obama foi cauteloso, não quis aumentar o susto que está em todos os lugares, na mente das mais diversas pessoas.

No momento, estou interessado em desfazer ou entender o que aconteceu na Casa Branca, e o que o presidente Obama fez realmente. Apareceu duas vezes na televisão, logicamente as duas a respeito do assunto Bin Laden. Qual teria sido a primeira?

O encontro e morte de Bin Laden ocorreu às 23h25, hora de Washington. Quando imediatamente Obama foi à televisão, passados um ou dois minutos, não havia nem podia haver mesmo nenhuma prioridade na frente dessa comunicação.

Nem prioridade ou vontade de Obama, que quem  estivesse acordado naquele momento, tomasse conhecimento do fato, a não ser pelo próprio presidente. Era tão importante, que só ele poderia dar conhecimento ao país e ao mundo.

Além do mais, uma comunicação prioritária, imperdível para o presidente. Em plena campanha eleitoral, em baixa nas pesquisas, tinha a certeza (que poderia ser também intuição irrefutável), de que sua popularidade ganharia um solavanco positivo, como realmente se registrou.

Agora os detalhes para saber quem vem primeiro, a comunicação ao mundo, e a outra, feita no dia seguinte, diretamente pela Casa Branca. Com a foto de Obama “assistindo todos os fatos importantíssimos, em tempo real”.

Às 23h27 ou 23h28, anunciando um fato que, como ele registrou, “acontecera às 23h25”, Obama estava de terno e gravata, obrigatório para um acontecimento como aquele, falava para o mundo. Seríssimo, conciso, nenhuma restrição à sua aparência. Acabou de falar, virou-se sem olhar para as câmeras, elas o acompanharam até que chegasse à porta da frente. Passo firme, olhando seguramente para a frente, sem qualquer hesitação.

Agora, o que a Casa Branca chama de “assistir tudo ao vivo e em tempo real”. Obama aparece de roupa esporte, camisa de mangas curtas, sem paletó. Com 17 pessoas, todas olhando aparentemente para a frente, como se estivessem mesmo assistindo um acontecimento histórico pela TV.

Estavam numa sala  pequeníssima, visivelmente  amontoados, quase  sem   espaço entre eles. A parte administrativa da Casa Branca tem 134 salas como aquela, excluídas as das altas autoridades. E, lógico, o Salão Oval. Em 1956 (dias 2 e 3 de janeiro), durante dois dias seguidos, Richard Nixon mostrou tudo a Juscelino, que viajava como presidente eleito e ainda não empossado.

Por que escolher aquela salinha? E de onde vieram aquelas 17 pessoas? Obviamente não estavam trabalhando num domingo e nem moram na Casa Branca. Como foram chamadas e chegaram à Casa Branca a tempo de assistir tudo “em tempo real” com o presidente Obama?

As duas aparições de Obama são simultâneas: primeiro, comunicando pela televisão, “em tempo integral”, na mesma hora em que o fato aconteceu. E que o mundo inteiro (incluindo este colunista, que não sabia de nada) conheceu por intermédio do presidente. Depois, o “tempo integral” da fala presidencial aconteceu no mesmo exato momento em que ele assistia, “em tempo real”, a morte de Bin Laden. Ninguém percebeu que havia terrível contradição e espantoso choque de horário?

O fato é importantíssimo, porque essa tremenda farsa coloca em dúvida, e, praticamente com toda certeza, a palavra do homem mais importante do mundo. E da própria Casa Branca. A partir desse exame, todo o resto do acontecimento que levou à morte de Bin Laden pode ter sido montado com a mesma arrogância e imprudência. Uma vez mais homenageio o jornalista Hélio Fernandes pela sensatez e precisão das suas análises.

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados