Oxi, ameaça pior que o crack

O oxi, abreviação de oxidado, é uma mistura de base livre de cocaína, querosene – ou gasolina, diesel e até solução de bateria -, cal e permanganato de potássio. Como o crack, o oxi é uma pedra, só que branca, e também é fumado num cachimbo. A grande diferença é que custa mais barato e mata mais rápido.

Essa droga mais devastadora que o crack, teria chegado ao Brasil através do Estado do Acre, que virou rota do tráfico internacional de entorpecentes. É que faz fronteira com o Peru e a Bolívia – os maiores produtores de cocaína do mundo – e está próximo à Colômbia.

De alguns anos para cá, a facilidade com que a base livre de cocaína cruza as fronteiras fez com que o oxi tomasse conta de Rio Branco, capital do Acre, e outros pequenos municípios. A pedra age muito rápido: viciados dizem que não leva 20 segundos para sentir o “barato” e que em cinco minutos a pessoa já está com vontade de consumir de novo.

A pedrinha de oxi tem 80% de cocaína, enquanto o crack não passa de 40%. Hoje o oxi está em todos os estados da Região Norte, em Goiânia e no Mato Grosso do Sul, no Distrito Federal, em alguns estados do nordeste e acaba de chegar a São Paulo, já sendo encontrado nas chamadas “bocadas” da Cracolândia, no centro da capital paulistana.

Fumado, geralmente em latinhas de bebidas ou em cachimbos improvisados   e  bem  artesanais  como  os  que  servem  o crack,  o  oxi,  insisto,  tem potencial para viciar logo na primeira vez, e como já disse, é uma droga bem barata: é vendida, em média, por R$ 5 e até por R$ 2.

O delegado Maurício Moscardi, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal do Acre, que em 2010 apreendeu no estado quase 300 quilos de base livre de cocaína, explica melhor:

- A repressão na cidade não é a prioridade da PF, e sim desarticular organizações criminosas. Até atuamos no tráfico doméstico, mas a base livre de cocaína está em todo lugar e muitos consumidores da droga nem são caso de polícia, mas de saúde pública.

São visíveis as marcas do oxi deixadas nos corpos dos usuários. Assim como as reações no comportamento – os dependentes permanecem sempre nervosos e agitados durante e após o consumo da droga -, os efeitos em órgãos vitais como rim, pulmão e fígado são considerados devastadores.

Logo nos primeiros dias, os consumidores de oxi apresentam problemas no aparelho digestivo e complicações renais. As dores de cabeça e as náuseas passam a ser constantes, diárias, e há crises crônicas de vômito e diarréia, um quadro comum enfrentado por quem faz uso da nova droga.

Segundo policiais e médicos, os usuários do oxi também apresentam dificuldade para respirar e a pele passa a ter uma cor amarelada. Em poucas semanas, o dependente perde muito peso e tem início  um  rápido  processo  de  envelhecimento. Pior: a morte por complicações de saúde pode chegar a prazos inferiores a dois anos.

- O efeito do oxi é muito rápido, a droga chega ao cérebro em pouquíssimos segundos. Seu efeito também passa rápido, por isso a necessidade de consumir aumenta cada vez mais e mais. É uma reação avassaladora. Diferentemente do crack, o usuário ainda sente a necessidade forte de mesclar o oxi com outras drogas, principalmente a própria cocaína em pó e o álcool – adverte a psicóloga Maria Stella Cordovil Casotti, que há 14 anos trabalha com a recuperação de usuários de drogas e atua hoje no Acre.

Os efeitos do oxi também estão na boca dos dependentes. Como a mistura de gasolina, querosene e produtos corrosivos é grande na composição da droga, os dentes sofrem desgaste, ganham uma tonalidade escura e quebram. O processo culmina na perda de todos os dentes.

E pensar que, com todos esses problemas e riscos à saúde pública, o líder do Governo na Câmara Federal, deputado paulista Paulo Teixeira (PT) ainda advoga pela plantação de maconha por cooperativas de viciados, enquanto ele próprio, em pronunciamento recente, condenou fazendeiros plantadores de feijão. Vai entender...

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados