Consulta popular outra vez?

Sinceramente, propor nova consulta popular sobre o desarmamento não passa de um disparate golpista e oportunista. Disparate pelo cinismo de restringir ainda mais um direito das pessoas de bem enquanto armas ilegais são negociadas em toda parte. Golpista por não respeitar a vontade soberana de 63% que votaram a mesma proposta. E, oportunista, por se aproveitar de um momento de comoção causada pela tragédia na escola do Realengo para tentar emplacar uma tese rejeitada em 2005.

Lamentável sob todos os pontos a ideia do plebiscito, pois há seis anos, através do referendo, o povo escolheu o “não” e essa decisão precisa ser respeitada. Do contrário, qual a validade de qualquer consulta popular? Qual a credibilidade de tão importante mecanismo democrático?

Aliás, o sr. ministro da Justiça, antes de pensar em pôr em prática nova campanha pelo desarmamento, deveria deslanchar um enérgico e efetivo programa de segurança pública para oferecer à população o direito constitucional de ir e vir, sem atropelos, atualmente cerceado às pessoas de bem pelo crescimento da marginalidade, pelo narcotráfico e, em certos casos, até por aqueles que são pagos para zelar pelo sossego e segurança da sociedade.

Ao cidadão é negado, na prática, o sacrossanto direito de se defender fisicamente e também a incolumidade do seu patrimônio da ação dos criminosos, sob pena de ser enquadrado aos rigores  da  lei que, desgraçadamente, não  é  aplicada  da mesma forma aos delinquentes, estes sim, sempre de posse de armas letais e de potentes calibres.

Em sã consciência, será que alguma campanha de desarmamento teria evitado o massacre na escola do Realengo? Se obscuras e incompetentes autoridades quiserem aparecer na mídia para fazer e apoiar alguma campanha séria, que providenciem o desarmamento dos criminosos, confiscando seus arsenais e suas fortunas obtidas com suas violências.

É muito fácil, para não dizer rotundamente covarde, as autoridades obrigarem o simples e sempre pagador de impostos, cumpridor dos seus deveres, a entregar a única arma que às vezes possui dentro de casa, para sua segurança. E ainda com a promessa de indenização, o que geralmente não é paga e muito menos justificada...

Bandidos e os que vivem do comércio ilegal de armas não vão entregar nada. Muito pelo contrário. O fato é que as armas usadas na chacina da escola carioca jamais seriam entregues em campanhas demagógicas e sem sentido como essa que se pretende.

Se tivéssemos regras claras e rigorosas sobre fabricação, comércio, posse e porte de armas e uma fiscalização efetiva, permanente, atuante, confiável e também sanções pesadas para os infratores, não seria necessário o desarmamento, proposta, insisto, já rejeitada anteriormente.

De uma vez por todas: o desarmamento não atinge bandidos e marginais, apenas as pessoas de bem, que ficarão ainda mais desprotegidas. Nova campanha sobre o assunto soa, uma vez mais, como cortina de fumaça, para que as atenções sejam desviadas dos graves problemas que afetam o país. Raciocinemos: automóveis em mãos inadequadas matam, diariamente, centenas de brasileiros, assim como as drogas e a fome que campeia pelo Brasil, de norte a sul, para não citar o total descaso com a educação, a saúde pública e o erário.

O acesso às armas somente deveria ser permitido àqueles que, comprovadamente, estiverem qualificados e sem mácula em seus antecedentes criminais. Não é a arma que mata, mas o portador dela. Para a vítima, pouco importa o que a atingiu: se bala, faca, estilete, pedra ou soco. O desarmamento só atinge os que cumprem a lei, e nunca os mal-intencionados.

Para os hipócritas e demagogos de plantão: atualmente, em todo o Brasil, segundo informações da Polícia Federal, existem 1.256 pessoas autorizadas a portar armas. Desses portes, no ano passado, 18 foram expedidos no Rio de Janeiro e outros 43 em São Paulo. Diante desses números, valeria mesmo a pena, e por altíssimo custo, uma nova consulta popular? Alguma coisa se esconde por detrás dessa maluquice. E não deve cheirar nada bem. Fiquemos atentos!

 

Voltar ao índice de artigos

      


 

AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados