Adesivos atraem criminosos

É moda, mas é perigoso. Um simples e aparentemente inofensivo adereço pode servir de insegurança à sua família. Refiro-me à onda da “família feliz” estampada na traseira de centenas ou talvez de milhares de veículos que circulam pelas nossas ruas, avenidas e estradas.

Muitos motoristas e/ou proprietários de veículos, considerando bonitas as estampas de homenzinhos, mulherzinhas, cachorrinhos e outros bichos mais, compram essas figurinhas a preços irrisórios em papelarias e até bancas de jornais e acabam facilitando a investida contra si de criminosos.

Quem age desse jeito, pode dar margem principalmente a dois tipos de crimes: sequestro-relâmpago e falso sequestro. Vale também informar que não é tão difícil descobrir aonde mora aquela “família feliz” ao se perceber o veículo parando diante de certa casa na rua ou entrando em determinado prédio de apartamentos.

Há o perigo, igualmente, de um delinquente ou bando organizado obterem até informação do nome do proprietário do veículo acessando os computadores da Polícia, pois com um informante ou mal funcionário dentro do antigo ou do novo Detran, é perfeitamente possível rastrear esses dados.

Há risco, também, para quem mora longe dos grandes centros urbanos, para onde, infelizmente, essa trágica moda também se alastrou. Alguns desavisados, para não dizer inocentes úteis, foram orientados também a retirar dos vidros de seus veículos adesivos indicando o condomínio em que residem e até mesmo as faculdades em que estudam ou as academias de ginástica que frequentam. Como se vê, os bandidos estão à espreita, observam tudo e todos, sempre prontos a tirar proveito de situações.

Existe gente tão descrente na maldade dos outros, ou certos de que nunca nada de ruim lhes acontecerá, que chega a exibir nos vidros de seus carros inclusive as fotografias de seus filhos com respectivos nomes. Quanta ingenuidade! Que risco!

Lamentavelmente entre alguns usuários esse tipo de alerta que fazemos parece não ser suficiente para que alguns mudem de idéia e nem ao menos sirva de reflexão. Algo, aliás, que deve ser conversado em família, talvez na hora da janta ou no almoço de domingo. Mas, atualmente, pela modernidade que nos cerca, nem mesmo nos finais de semana algumas famílias de reúnem, impossibilitando essas instruções.

Esses adesivos têm sido vendidos de R$ 0,80 a R$ 1,00, mas existem outras modalidades que têm deixado em sobressalto as autoridades, como por exemplo as chamadas “redes sociais” da internet, onde muitos colocam fotografias com um resumo biográfico de cada pessoa, citando a escola em que estudam crianças, destacando inclusive seu tamanho de roupa e o número dos sapatos que calçam. Um verdadeiro convite aos golpistas de plantão...

Na verdade, quem tem motivos de sobra para festejar essa perigosa moda dos adesivos são os comerciantes, ou seja, os donos de gráficas que imprimem e os jornaleiros que os vendem. Mantive contato com alguns desses profissionais e soube  que houve um aumento de 30% nos seus negócios, graças à procura dessas estampas para colarem nos carros. Agora, a revelação surpreendente: tanto os gráficos como os donos das bancas de jornais não permitem que seus familiares usem essas colagens em seus carros. Motivo? Segurança, não dar mole para bandido.

Está certo que como tantas outras, será uma moda passageira. Bem rapidamente passageira, auguro. Mas enquanto ela persistir, nunca será demais alertar. E, paralelamente a isso, que os pais ou responsáveis orientem particularmente filhos pequenos, já tão acostumados em lidar com computadores, para que nunca registrem informações pessoais que possam atrair bandidos à ação.

Como muitos adultos, por má formação e ignorância relutam em acreditar no perigo de um “simples” adesivo, que os educadores entrem na luta, instruindo diretamente as crianças, na esperança de que levem uma mensagem de conscientização e de chamamento de reflexão a pais incrédulos.

 

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados