Ilustres defensores da maconha

A Comissão Global Sobre Drogas reuniu-se em Genebra, na Suíça, em janeiro último, sob a coordenação do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, que sugeriu que os países trabalhem fortemente pela legalização e regulamentação do uso da maconha.

Para o organismo, onde têm assento personalidades políticas como a ex-presidente da Suíça Ruth Dreifuss, o ex-secretário do Tesouro norte-americano George Schultz e o ex-secretário-geral da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) Javier Solana, a adoção dessa diretriz pavimentaria o caminho para combater de forma mais eficiente o tráfico de drogas e suas consequências, entre as quais a violência decorrente da criminalidade é uma das mais trágicas manifestações.

Eu particularmente só acreditaria na sinceridade dessas “ilustres figuras públicas” caso elas autorizassem submeter a um tratamento médico, a uma singela cirurgia de apêndice, um filho ou um neto, por profissional totalmente chapado, ou seja, com a cabeça lotada da canabis sativa, a popular maconha.

Como se vê, trata-se de uma recomendação bombástica, altamente polêmica essa das “nobres personalidades”. Pior: alguns importantes veículos de mídia, grupelhos de duvidosos artistas mostram-se favoráveis a tão devastadora idéia, sob o aplauso e, por que não?, talvez até patrocínio dos barões do crime organizado, para grande alegria do passador ou aviãozinho da esquina mais próxima...

Tentam, por exemplo, convencer incautos de  que  só  os  Estados  Unidos despendem, anualmente, cerca de US$ 49 bilhões numa guerra que, para eles, “está longe de ser vencida”. Estima-se que aquele país já tenha enterrado meio trilhão de dólares nessa política, e no entanto as substâncias alucinógenas continuam abundantes, baratas e diversificadas em todo o mundo.

Argumentos, cá entre nós, nada sutis e facilmente passíveis de condenação. Pena eu teria, se seus defensores fossem simples mortais ignorantes, iletrados, alienados, enfim, totalmente desinformados. Preocupa-me ao extremo, portanto, por se tratar de quem são, na maioria tidos como formadores de opinião, que mesmo não aceitando, deveriam saber das pesquisas que alertam para o perigo de todas as drogas. E, particularmente, a maconha, que alguns ridícula e cafajestemente  advogam para o “consumo recreativo”, mas que por todos os pesquisadores, policiais e especialistas clínicos sabe-se, é considerada “a porta de entrada para o consumo mais pesado”.

À parte os aspectos puramente criminais e sociais desse flagelo, que leva a tragédia do vício para dentro de um número incontável de famílias no mundo inteiro, e deixa a sociedade sob o terrível fantasma da violência decorrente do banditismo cevado pelo tráfico, as drogas ilegais movimentam algo em torno de US$ 320 bilhões, por ano, no mundo.

Esses famosos nomes a serviço do narcotráfico internacional, percorrendo países e se apresentando em simpósios, ciclos de debates e outros   meios de propaganda fazendo a apologia do crime, precisam, isto sim, serem questionados sobre quem os financia, e a que título ?

Deveriam, no mínimo, terem vergonha na cara, mesmo porque não é novidade e nem ignorado por ninguém o quanto os governos de todos os cantos do planeta gastam em campanhas educativas, orientadoras e de altíssimo serviço público às suas populações, alertando sobre os males do uso de entorpecentes, insisto, a começar pela maconha. Males à saúde de quem consome e o risco que o drogado representa ao resto da sociedade...

Aqui entre nós, figura como o ex-presidente FHC deve ser não ignorada, mas sim acompanhada diligentemente e pari-passu para que a população ordeira, pais e mães preocupados com o futuro e bem estar de seus filhos, tenham em mente as atitudes deletérias desse senhor.

Desafio, por derradeiro, sua excelência Fernando Henrique Cardoso a permitir que um neto passe por um tratamento dentário que seja, por odontólogo que tenha acabado de fazer uso de um simples pacau de maconha. Talvez aí acreditasse na sinceridade de sua veemente defesa dos usuários e respectivos traficantes.   

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados