Ainda a "invasão" do Alemão

Passados quase dois meses, e com os ânimos mais contidos, vamos a uma análise (ou outra) mais sensata do que foi a “invasão” do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Tudo não passou, afirmo e assino em baixo, de uma resposta ao público externo, com vistas a não prejudicar a realização da próxima Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, em 2014 e 2016.

A operação de ocupação do mais famoso Morro do Rio, foi conduzida em euforia mas com  mínima competência. Os principais “chefões” sabiam nos mínimos detalhes tudo o que as tropas planejavam ou faziam. Tanto que não esperaram a execução, foram embora muitas horas antes.

Como sempre ingenuamente (?), a TV Globo mostrou a vista extraordinária que se tinha lá de cima. Só que insistiam na “beleza panorâmica”, esquecendo que aquele local privilegiado era uma das melhores fontes de informações de que dispunham os criminosos. De lá viam tudo, acumulavam com o que recebiam por meio dos seus informantes infiltrados.

Assim, na quinta-feira, quando a televisão mostrou aquela surpreendente “fuga” dos bandidos subindo o morro, saindo do meio do mato, uns atrapalhando os outros, e todos desorientados e sem saberem o que fazer, os chefões viam tudo sem necessidade de televisão, assistiam comodamente instalados.

E, diante do aparato que não podiam desconhecer, decidiram: começaram a  ir  embora  na  quinta   à  noite   mesmo,  ou  na   sexta-feira.  Dessa   forma,   quando teatralmente, diante das câmeras, gravadores e máquinas fotográficas de jornalistas, deram as ordens de “rendam-se ou serão presos!”, já estavam bem longe.

Eram quatro os chefões: FB (Fabiano), Nem, Pezão e Polegar. Este, dono da casa que chamaram de “luxuosa”, com piscina. Só não disseram que ele quase não vai lá. Seu refúgio confortável é no Morro da Mangueira. A Rede Globo trocou o “Nem” pelo “Mica”. Este também quase não vai ao Alemão, tem pânico e pavor de FB, o mais agressivo, contundente e violento de todos.

Verdade seja dita: a Globo quis prolongar o máximo possível a cobertura da invasão. Em termos de audiência, estavam certíssimos, embora se repetindo tanto que quase ninguém mais se interessava. Por outro lado, a TV Globo sabia tanto quanto qualquer um que quando começou a invasão, não havia mais ninguém. E, como sempre, eles “maquiaram” os fatos. Afinal, precisavam servir a “Deus e o diabo”.

Com o fracasso da operação e, consequentemente, da cobertura no domingo, a Globo, “por orientação superior” (e não interna) se concentrou em mostrar o que foi encontrado no Alemão: motos roubadas, armamento, drogas em quantidade, até uma bazuca sem munição.

Mas o que a população quer saber e a Globo tem informações, mas não para divulgar, é o seguinte: como é que aquela montanha que fica entulhando uma área enorme do Alemão, pôde ser levada lá para cima? Ninguém viu? E os policiais que faziam a cobertura, não souberam de nada? É muita  coisa, são  milhares de  itens, das mais diversas procedências.

Insisto em três questões fundamentais: 1) De onde vinha e subia o morro aquele armamento? Cadê os mais de 3 mil fuzis e 600 traficantes que estavam naquele Complexo? 2) E a estarrecedora quantidade de drogas apreendida? Como chegava lá em cima? Aonde ficava estocada? 3) E, por último, o que a Globo poderia explicar, mas quer ficar bem longe disso: nos morros não existem laboratórios. A pasta de coca chega e precisa ser preparada, misturada, para produzir lucros mais altos.

A verdade é que esses bandidos rotulados de chefões não têm “status” para negociar a compra de grandes partidas de drogas e muito menos de armamento caríssimo e importado. Existem os “barões” do asfalto, da Vieira Soutto, que têm muito mais representatividade. Por quê razão esses figurões nunca são citados, mencionados e, muito menos, procurados?

Enquanto essas pessoas, escroques de primeira linhagem, algumas até com sobrenomes conhecidos e famosos, não aparecerem presas e também nas manchetes como os super-narcotraficantes, os verdadeiros e riquíssimos bandidões, vou considerar que toda aquela operação foi um fracasso.

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados