Ônibus que matam

Dados do Relatório de Acidentes de Trânsito de 2009 da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) da capital paulista, dão conta de que não obstante a queda geral da violência no trânsito, os ônibus foram os únicos veículos que apresentaram alta na quantidade de acidentes com mortes da cidade de São Paulo.

Quando separados por veículos, os dados mostram que os ônibus se envolveram em 251 casos em 2009, ante 218 no mesmo período anterior – alta de 15,1%.

De igual modo, quando os acidentes fatais são separados por tipos de veículos, é possível notar uma queda generalizada na quantidade de casos, com exceção dos ônibus. Já os acidentes envolvendo automóveis, por exemplo, apresentaram queda de 5,3%. O mesmo quadro é verificado  com  as    motocicletas  (-10,1%), caminhões (-22,6%) e bicicletas (-11,3%).

O mestre em Transportes pela Escola Politécnica (Poli/USP), engenheiro Sérgio Ejzenberg, analisa: “Ao calcularmos a periculosidade relativa, levando em conta o tamanho da frota, vemos que os ônibus são 31 vezes mais perigosos que os automóveis, pois na capital paulista existem 69 mil ônibus, o que corresponde a 1% da frota municipal”.

Foram registrados em 2009 um total de 1.891 acidentes que resultaram em mortes, dos quais 13,7% tiveram o envolvimento de ônibus. São pouco significativos os casos de choques  envolvendo  ônibus (quando o  coletivo  bate  contra  obstáculos fixos, como muros, postes e árvores). Foram três ao longo de 2009, o que corresponde a 1% do total desses casos. Os choques geralmente são caracterizados por “veículos desgovernados” e por isso grande parte deles está relacionada com alta velocidade e consumo de álcool.

Esses veículos de transporte coletivo estiveram envolvidos, também, em 18% dos atropelamentos que resultaram em mortes – foram 650 no total na capital. O índice dos ônibus é praticamente o mesmo das motos, que é de 18,9%. Os automóveis são os maiores responsáveis pelas mortes por atropelamentos (39,7%).

Para Nancy Schneider, superintendente de Segurança de Trânsito da CET, “Os atropelamentos são acidentes mais comuns envolvendo os ônibus porque há uma grande aglomeração de pessoas nos pontos e que ficam muito perto das ruas”.

Os dados apontam ainda que 63% dos atropelamentos com mortes acontecem com a vítima fora da faixa de pedestre. Nos demais, os pedestres estavam andando na pista (11%), na faixa de pedestre (14%), na calçada (9%) e no canteiro central (3%).

Uma das medidas adotadas pela CET para diminuir esses acidentes foi reduzir de 60km/h para 50km/h a velocidade nos corredores exclusivos de ônibus e instalar gradis para que a travessia dos pedestres aconteça apenas em locais considerados seguros.

A São Paulo Transportes (SP-Trans) também ressalta  que  todos os 15 mil  ônibus municipais têm tacógrafos (controladores de velocidade) e os veículos são monitorados via satélite. Os condutores envolvidos em acidentes são afastados preventivamente até que sejam verificadas as causas do ocorrido.

Oficialmente, a Prefeitura Municipal de São Paulo informa que a cidade vem apresentando melhora no índice de mortes em acidentes a cada 10 mil veículos, que é o parâmetro internacional para avaliar o grau de violência no trânsito.

Em 2005, o índice na Capital paulista era de 2,8 e a última medição registra 2,1. Enquanto isso, a média brasileira está acima de 6. Para o mestre-engenheiro Ejzenberg, “O índice de São Paulo é quase um terço da média brasileira, muito bom quando se leva em conta que o volume de veículos deixa o trânsito mais perigoso”.

Já a CET espera reduzir ainda mais esse número, objetivando atingir o índice de capitais de países desenvolvidos, como Londres, que registra 1,6.

 

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados