Moto, veículo da morte!

Números da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da capital paulista mostram que em 2009 as batidas de motocicletas contra automóveis, caminhões, ônibus e outras motos resultaram em 229 vítimas – quase todas motociclistas.

As motos representam 12% da frota paulistana e estão envolvidas em três de cada cinco colisões com mortes na cidade de São Paulo. A CET informa ainda que em 2009, 1.382 pessoas morreram no trânsito da capital, numa análise das ocorrências mais comuns, os veículos envolvidos e o perfil das vítimas.

De acordo com o apurado, as colisões envolvendo motos são os acidentes que mais provocaram mortes em 2009. Na sequência, aparecem os choques (quando a moto bate contra um obstáculo parado, como árvore e poste), que vitimaram 101 pessoas, e os atropelamentos (quando a moto está parada e é atingida por outro veículo), com 5 casos.

Para o ortopedista Marcelo Rosa, do Hospital das Clínicas, e coordenador de um estudo sobre motociclistas acidentados, “as colisões são mais prejudiciais para as motos, porque elas não têm uma estrutura de defesa, como os demais veículos. O motociclista sofre com o trauma do choque e também da queda e por isso a chance de ser fatal é maior”.

O relatório da CET aponta que no ano passado, 361 colisões provocaram mortes. As mais comuns foram as entre motos e  automóveis (31,5%); motos  e  ônibus (15%) e entre automóveis (10%). “Nas rodovias, o problema maior é com caminhões, por causa da falta de visibilidade. Mas na cidade há uma luta com os carros pelo espaço urbano, todos tentando se locomover”, explica Aldemir Martins, presidente do Sindicato dos Motociclistas (Sindimotos).

O total de motociclistas mortos passou de 478 em 2008, para 428 em 2009, queda de 10% - a redução foi cerca de 6% no geral do trânsito. Para a CET, hoje, a convivência entre carro e moto está melhor. E a razão disso seriam os cursos de capacitação para motoboys, com aulas teóricas e de direção segura.

E, contrariando o senso comum de que um motociclista caído na rua certamente é um motoboy, o relatório da CET aponta que 30% dos mortos nos acidentes envolvendo esse tipo de veículo são os motofretistas. Quer dizer que a maior parte das vítimas é de estudantes e trabalhadores que usam a moto para transporte para a escola ou trabalho.

Os 278 motociclistas mortos em 2009 tiveram assim sua profissão definida: 52 motoboys, 18 vendedores autônomos, 42 estudantes, 37 ajudantes, 9 garçons, 6 pedreiros e 8 porteiros.

Especialistas atribuem os casos à facilidade para se comprar motos atualmente, pois com a moto é bem mais fácil se deslocar. Segundo a Assistência Social do Hospital das Clínicas, “os motociclistas vítimas de acidentes são pessoas que levavam duas  horas  e  meia  de  ônibus  e  que  hoje  vão  para  o  trabalho  em  40 minutos”.

Levantamento do Instituto de Ortopedia do HC aponta que, em 2004, os motofretistas eram 51% dos casos de internação por causa de acidentes com motos. No estudo deste ano, esse índice caiu para 31%. A grande quantidade de novos motociclistas também é apontada pelos profissionais pela grande participação das motos nas colisões.

“Hoje, os motoboys precisam fazer os cursos da Prefeitura e os regulamentados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Os outros motociclistas estão despreparados e andam pelas vias perigosas”, esclarece o presidente do Sindimotos, Aldemir Martins.

A pesquisa da CET demonstra que os motociclistas mortos são predominantemente jovens. Foram 428 vítimas no ano passado, compreendendo 254 que tinham entre 18 e 29 anos. Somente nessa faixa de idade os motociclistas estão em primeiro no ranking dos mortos em acidentes de trânsito, nas demais, são os ocupantes de automóveis.

Após os 30 anos, o número de motociclistas mortos cai à medida em que a idade aumenta na faixa de 30 a 39 anos (106), de 40 a 49 (31), de 50 a 59 (9). Chamou a atenção o fato de que 26 condutores tinham entre 10 e 17 anos, idades insuficientes para a obtenção da carteira de motociclista.

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados