Um plano contra o crack

A expansão do consumo do crack, no Brasil, atinge dimensões de verdadeira calamidade pública. Outra constatação dos especialistas em questão de drogas preocupa ainda mais: de início restrito aos jovens das classes pobres, o crack, subproduto da cocaína, avança rapidamente nas demais classes sociais.

Dados oficiais, hoje, dão conta de que em todo o país haveria cerca de 600 mil pessoas viciadas nessa devastadora droga, grande parte delas de forma irreversível.

Para reforçar o combate ao entorpecente, o presidente Lula anunciou o “Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack” na sessão de encerramento da Marcha dos Prefeitos. O último plano para combater o consumo da droga foi anunciado em junho do ano passado, quando o governo federal também prometeu – e não cumpriu – dobrar o número de leitos para dependentes químicos em hospitais do SUS, que passariam dos 2.500 atuais para 5.000.

Serão implantados ainda, 70 pontos de acolhimento a viciados em cidades com mais de 400 mil habitantes, cujo objetivo não será mais a recuperação, mas a assistência aos casos considerados já perdidos, incluindo abrigo provisório, orientação sobre a redução de danos e atendimento médico de baixa complexidade.

Lula anunciou aos prefeitos que o objetivo imediato do programa é aproximar os viciados dos chamados “consultórios de rua”, que contarão com  assistentes   sociais,  psicólogos   e   enfermeiros,  que   fornecerão   orientação  sobre tratamentos e oferecerão cuidados básicos em locais onde os viciados em crack poderão se reunir para comer, tomar banho e descansar.

Embora tardias, essas providências são oportunas, valendo lembrar sempre que não constituem nenhuma novidade, pois embora anunciadas anteriormente, jamais sairam do papel, seja por falta de verba, de material humano especializado ou qualquer que seja o outro motivo.

O ministro Jorge Armando Félix, da Segurança Institucional, ao dar detalhes do Plano, em Brasília, reconheceu que se trata de iniciativa já prometida, mas a diferença está em que, agora, além dos recursos para implementá-la, há uma firme disposição do Governo de enfrentar mais rigorosamente o consumo do crack, uma vez que o assunto adquiriu um nível de gravidade extrema no País.

As providências, até então, eram tomadas isoladamente nas distintas esferas de poder; a autonomia operacional será mantida; entretanto, daqui para a frente, haverá uma coordenação nacional, liderando um esquema do qual se espera mais eficiência, ou seja, resultados mais positivos.

Mesmo assim, o programa recebe fortes críticas de alguns setores, com base na constatação de que o Governo tem sido incapaz de desenvolver políticas públicas adequadas para reduzir a produção, a venda e o consumo de crack. É algo que novamente será testado, mas que a meu ver, não se deve, a priori, desqualificar o esforço, meramente porque, em outras ocasiões, o saldo deixou muito a desejar.         

Se tudo for muito bem conduzido, por gente preparada, e se houver a persistência necessária que o caso exige, já podemos confiar num saldo expressivo e positivo. E, não resta a menor dúvida, de que é isso que a assustadora proliferação do uso dessa droga no Brasil está a exigir, desafiando a competência das nossas autoridades.

Em seu discurso aos prefeitos, o presidente Lula afirmou:

“O crack é uma coisa ainda nebulosa. O que a gente sabe é que o crack não é uma droga de rico, é uma droga mais para pobre. E a gente sabe que ela está sendo utilizada não só nos grandes centros urbanos, mas já está sendo utilizada nas pequenas cidades, inclusive com crianças em escola”.

Lula ainda prometeu “jogar duro contra os narcotraficantes”, o que, aliás, não fez em sete anos e meio como presidente da República.

   

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados