Gangues de Nova York

Depois da noite de terror no domingo de Páscoa na Times Square, o chefe de polícia de Nova York, Raymond Kelly, reconheceu o aumento dos casos de violência na maior cidade norte-americana e declarou-se preocupado com a volta de “fantasmas do passado”, como as disputas entre gangues.

Os registros de crimes à mão armada em Nova York aumentaram 19%, e os casos de assassinatos subiram 22% em um ano. O problema é que o efetivo policial da cidade foi drasticamente reduzido, com os cortes acentuados no orçamento da prefeitura, em consequência da crise financeira e da queda da arrecadação: desde 2008, houve um corte de 6 mil policiais, e mais 2 mil vagas podem desaparecer em 2010.

Quer dizer: menos vigilância, mais crimes. A onda de assaltos promovida por duas gangues no domingo de Páscoa na Times Square – em que mais de 40 jovens de 16 a 22 anos foram presos e quatro pessoas baleadas – levou de volta a Nova York um fantasma que a cidade considerava definitivamente exorcizado: o das gangues de estudantes, dedicadas ao tráfico de drogas e assaltos à mão armada.

Os nova-iorquinos viveram naquela noite o temor de voltar a viver o inferno dos anos 70, quando Nova York estava entre as cidades mais perigosas do mundo.

Segundo William Tartaglia, da Divisão de Gangues da Polícia de Nova York, a situação está sob controle. Isso também dizia o governo  Covas,  aqui  em  São  Paulo, enquanto o PCC – Primeiro Comando da Capital se alastrava pelo sistema prisional e as autoridades tapavam olhos e ouvidos.

Os distúrbios nas cercanias da Times Square tiveram início numa disputa entre duas gangues, uma de Manhattan e outra do Bronx. O investigador Carlos Gomez, da polícia do Bronx, atribuiu a onda de violência ao aumento da tensão no bairro, sobretudo na divisa com Manhattan, por causa do alto índice de desemprego. Valha-me Deus, se isso for mesmo a causa, aqui por São Paulo e o Brasil, então, estamos perdidos...

As duas capitais americanas das gangues de rua sempre foram Los Angeles e Chicago. Mas Nova York não fica assim tão atrás. A história das gangues de rua em Nova York recua ao começo do século 19, quando ondas de imigrantes chegaram à cidade e passaram a organizar rotas de contrabando, usando menores para pequenos assaltos.

A guerra entre elas foi tema recente do filme “Gangues de Nova York”, de Martin Scorsese. Nos anos 70, Nova York viveu, além da explosão do tráfico, um conflito social e étnico entre hispânicos e negros, levando os índices de criminalidade a níveis historicamente altos.

Esta trajetória só foi invertida em fins dos anos 1980, a partir da política de tolerância zero, quando um forte investimento em policiais, inteligência e câmeras de vigilância mudou o mapa da cidade. De  meados  dos  anos  1990  até  2008,  houve  um  forte recuo das estatísticas de criminalidade, que atingiu o menor nível em 40 anos. Mas a crise econômica, e sobretudo o desemprego alto, alteraram esta tendência de queda.

Segundo Norbert Davidson, do Setor de Segurança e Planejamento da Secretaria Municipal de Educação, a novidade é que as gangues que estão surgindo são menos etnicamente divididas do que nos anos 1970. A gangue dos Bloods, por exemplo, não é mais exclusivamente de negros, e já existem turmas de Latino Bloods espalhadas pela cidade.

Também entre os Latino Kings começa a haver divisões. Jovens salvadorenhos criaram a MS-13, inicialmente em regiões da periferia. Os dominicanos fundaram a DDP. Os caribenhos querem reviver os Crips, outra gangue famosa dos anos 70. As investigações policiais apontam até 30 novas gangues de mexicanos envolvidas com drogas.

- Infelizmente, o recrutamento de jovens nas escolas por gangues em Nova York tem aumentado depois da crise econômica, mas a polícia ainda assim considera a situação sob controle – avalia Davidson.

 

 

  

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados