FHC a serviço do crime

O presidente Lula aproveitou uma série de inaugurações e entrevistas no Rio de Janeiro para se dizer contrário à “legalização das drogas”, uma abordagem precária de um tema complexo e polêmico que tem colocado em evidência internacional seu arqui-rival, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC, por essa campanha, tem sido escondido o máximo possível da campanha presidencial de seu colega tucano José Serra. Há poucas semanas, o ex-presidente esteve no Morro Dona Marta, em Botafogo (RJ), uma das favelas ocupadas pelo programa de polícia pacificadora do governo fluminense, para registrar para um documentário o trabalho que vem sendo feito de controle territorial pelo estado no desarmamento de criminosos.

Esse documentário, provavelmente a pedido de José Serra, só deverá ser lançado no próximo ano. Mesmo assim, a atividade de Fernando Henrique sobre o assunto é considerada potencialmente perigosa para uma candidatura tucana, pela controvérsia que gera na sociedade brasileira.

A começar pela distorção da tese central, que não é a legalização das drogas, mas sim a descriminalização do consumo de drogas. O que em outras palavras simplesmente significa o “liberou geral”. Dentro da própria coalizão oposicionista há desacordo em relação ao tema. O ex-prefeito do Rio, César Maia, do DEM, por exemplo, tem classificado como verdadeiro “gol contra” o empenho de Fernando Henrique Cardoso no assunto, advertindo que o documentário pode trazer prejuízos à campanha  de Serra.

A Comissão Brasileira Sobre Drogas e Democracia (CBDD), que é composta por representantes da sociedade civil e políticos de várias tendências e partidos, fez recentemente na sede do Viva Rio sua terceira reunião em que ficou clara a dificuldade política de se levar adiante uma campanha nesse sentido, especialmente em ano eleitoral.

Insistindo na mesma tecla, FHC comentou o seu empenho no debate público acerca das drogas, alegando que não foi prioridade em seu governo: “Pouco a pouco eu fui tomando consciência das consequências da repressão às drogas, e percebi que ela é pouco eficaz. A guerra às drogas fracassou”.

Pela distorcida visão do ex-presidente, já que as tentativas de obtenção da cura de doenças graves não têm dado certo, que se pare com tudo o que está sendo feito e que os doentes fiquem à própria sorte, já que um dia todos morreremos mesmo. Afirmações apressadas e sem nexo como essas de FHC devem levar os narcotraficantes ao delírio, vendo a possibilidade de aumentarem o negócio caso essas loucuras um dia se tornem realidade oficial por aqui.

Algumas teses são tão esquisitas que parecem ter emanadas do “escritório central” do Crime Organizado: o objetivo imediato seria a regulamentação da lei que disciplina as políticas de drogas no Brasil, diferenciando consumidor de traficante,  e,  entre  os   traficantes,  os  que  exercem  ou  não  o  controle  armado  de  territórios. Ah, bom!

E FHC ainda cita o exemplo de Portugal que, em 2001, teria mudado o paradigma de combate às drogas, adotando uma postura de redução de danos. Só que o ex-presidente e seus seguidores talvez tenham esquecido um pequeno e simplório detalhe apenas: o tamanho de Portugal e sua bem menor densidade populacional, comparando com o Brasil que, além de grande consumidor de tóxicos, é passagem obrigatória por suas fronteiras pelo tráfico internacional.

O problema das drogas é um flagelo mundial. Ninguém pode evitar as estatísticas cada vez mais alarmantes indicando que a violência que acompanha até crimes banais têm sido impulsionado por usuários de entorpecentes. Uma repressão maior aos consumidores é que inibiria o grande tráfico, afinal de contas, é o pequeno usuário que movimenta os grandes cartéis. E isso não pode ser escondido só com belas palavras...

 

 

  

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados