Agora o "personal" policial

Um estudo do Ministério da Justiça descobriu que as viaturas policiais circulam em excesso, com pouco resultado prático. Cada carro roda cerca de 200 mil km por ano, o que obriga os governos estaduais a renovar suas frotas a cada dois anos, além do consumo de combustível.

Como boa parte dos gastos é bancada com recursos federais, o Ministério da Justiça vai reduzir a verba para a compra de viaturas e aumentar a dos programas para incentivar a polícia comunitária. Ano passado, do R$ 1,1 bilhão do Fundo Nacional de Segurança Pública, R$ 800 milhões foram para programas não vinculados à compra de carros, coletes ou armas.

A ideia é  incrementar o “policiamento de proximidade” em substituição ao modelo do “radiopatrulhamento”, em vigor há mais de 40 anos e cuja proposta de segurança ostensiva é baseada na circulação de viaturas e no sistema de telefonia centralizado no 190.

De acordo com o secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balestreri, a circulação de carros não evita crimes e, quando as vítimas acionam o 190, normalmente os policiais chegam atrasados.

- É o espetáculo de segurança, que não funciona mais – diz ele.

Experiências inovadoras estão sendo implantadas no Rio de Janeiro, com as chamadas “Unidades de Polícia Pacificadora”, como as que estão nos morros Santa Marta e Babilônia. Já em Rio Branco, capital do Acre, o programa  se chama “Polícia de Família”: os policiais visitam famílias para resolver conflitos e se antecipar a crimes.

No Ceará, outra experiência: o “Ronda do Quarteirão”, que deu aos moradores os números dos telefones dos policiais. Em emergências, em vez de ligar para o 190, eles telefonam diretamente para o policial, que tem de estar por perto. Três princípios norteiam o programa: proximidade, uso legal da força e respeito aos direitos humanos.

A estréia, em novembro de 2004, foi marcada pelo impacto das 205 camionetas Hilux, que custaram R$ 31 milhões. O programa opera em Fortaleza e mais 23 municípios. A proposta é resgatar a confiança entre cidadão e polícia. As viaturas circulam numa área de três quilometros quadrados, e os chamados são atendidos em até cinco minutos.

Panfletos e imãs de geladeiras foram distribuidos com o telefone do carro de cada área. Um sistema encaminha a ligação para o 190, caso o celular esteja ocupado. Divididas em turnos, três equipes se revezam por área. O veículo é rastreado eletronicamente. Tem computador, rádio e duas câmeras, que filmam o que se passa à frente e atrás do carro.

O número de câmeras deve dobrar depois que denúncias de maus-tratos contra presos nos veículos foram levadas à Secretaria de Segurança Pública e ao Ministério Público. A maior parte do dinheiro – R$ 68 milhões de 2007 até o fim do ano passado – foi do Tesouro Nacional.

A última pesquisa encomendada pelo governo mostra que 77% da população avalia o “Ronda” como bom e ótimo. No bairro Vicente Ponzon, próximo a duas favelas perigosas, moradores dizem que os assaltos continuam, mas que a situação era pior.

Em São Paulo, em particular, nenhuma dessas experiências foi feita. Por aqui, o esquema ostensivo-preventivo e, principalmente de polícia judiciária ainda segue o que ensinaram nos anos 60 os norte-americanos enviados para cá através do Programa Ponto IV.

Tudo bem, corretíssimo que o Ministério da Justiça se preocupe com os gastos de combustível, etc., mas em todas as experiências, não soube de nada que valorizasse o policial em si. Sou partidário da máxima que não aceita tão-somente o gasto com viaturas importadas, super equipadas, quando o policial que vai tripulá-la está de botina furada, estomago roncando de fome e desesperado com as dívidas porque mal pode pagar o aluguel de casa e os remédios para mulher e filho doentes.

Acordem, excelências! Mais juízo, autoridades!

 

  

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados