SP explode em crimes

As eleições estão chegando e, como sempre, a Polícia paulista será usada, uma vez mais, como “cabo eleitoral” do partido de plantão no Palácio dos Bandeirantes. Em tempos normais, os tucanos desprezam a polícia, não valorizam e muito menos concedem salários dignos e necessários a profissionais que desempenham atividade tão essencial a serviço da população.

Pensando bem, desta vez não será muito fácil fazer uso da força policial, entendidas aí tanto a Polícia Militar (futura Força Pública) e a Polícia Civil. É que a situação entre ambas, desde o confronto de 2008 à frente do Palácio do Governo, ainda não está devidamente “digerida”.

É bom lembrar que à época, as carreiras policiais civis estavam em estado de greve e pretendiam os dirigentes de suas associações e sindicatos, simplesmente entregar, através de comissão, um documento reivindicatório ao governador Serra ou a quem ele determinasse receber a comitiva.

Insensível à situação e, certamente mau aconselhado por péssimos assessores, o governador que já havia mandado a Polícia Militar ocupar as ruas e avenidas próximas ao Palácio, simplesmente mandou a tropa de choque descer o pau nos policiais civis que, pacificamente, caminhavam em direção à sede do governo. Alguns policiais tinham aos seus lados esposas e filhos. Houve até quem levasse netos. E tudo acabou naquele lamentável e histórico confronto entre as polícias paulistas, cenas documentadas por emissoras de televisão e que  foram  repetidas  em todo o planeta, demonstrando a insensatez de alguns tucanos quando tem a caneta à mão.

Os números não são favoráveis ao governo. Pelo menos por enquanto, e ao menos que sejam “maquiados”, como já ocorrera no segundo Governo Alckmin, com Saulo Castro à frente da Secretaria da Segurança. O ano passado registrou piora generalizada nos índices de crimes no Estado de São Paulo. Os roubos alcançaram o mais alto valor da série histórica, com 257.004 ocorrências, 18% acima de 2008.

O recorde anterior havia sido atingido em 2003, quando foram registrados 248.406 casos. Impossível avaliar o número de pessoas roubadas em casa, nos escritórios ou nas ruas e que, descrentes de providências que lhes restituam seus pertences, desapontadas não vão às delegacias para dar queixa.

Também cresceu de forma alarmante o número de latrocínios (roubos seguidos de mortes), sequestros, assaltos e furtos de veículos. Infelizmente, são raras as boas notícias no balanço da segurança pública no ano passado. Uma delas foi o crescimento na apreensão de entorpecentes, que subiu 11% em relação a 2008. As polícias apreenderam no ano passado um total de 27.886 quilos de drogas, quase tres vezes mais do que o volume que era apreendido em 2000.

Até mesmo os homicídios, que vinham registrando uma sequência histórica de queda, tiveram um ligeiro aumento no ano passado. Foram 3% no Estado. As quedas nos assassinatos  continuaram  a  acontecer  na  Capital  e  na  Grande  São Paulo. Na cidade, foram 1.235 assassinatos, número 2% inferior em relação a 2008. Na Grande SP a queda foi ainda maior: 11,2%, com 1.202 assassinatos. O crescimento de mortes violentas se deu de forma acentuada no Interior do Estado.

As ocorrências de sequestros também aumentaram, chegando a 85 casos – em 2008, haviam sido registrados no Estado 50 crimes dessa modalidade. Mas os índices do ano passado ficaram abaixo do total de sequestros que vinham ocorrendo anualmente desde 2001.

Com todos esses números, o atual Governo vai precisar fazer muito para querer usar a Polícia em seu favor, agora nas eleições. A começar pelo convencimento dos próprios policiais, tanto civis como militares, que já não se sentem mais à vontade até mesmo em aparecer em programas de televisão, quando percebem que as ocorrências serão mostradas com objetivos meramente político-eleitorais.

Nossos policiais estão acordando tarde demais!!!

 

  

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados