Motoqueiros abusam do álcool

Um estudo inédito feito pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) revela um quadro extremamente preocupante a respeito dos motociclistas brasileiros. Ao pesquisar 1.391 “motoqueiros” em 13 capitais, o estudo mostra que 18,8% abusam da bebida alcoólica.

Foi apurado que eles ingerem mais de cinco doses de álcool em uma única ocasião, o que extrapola em muito o limite máximo permitido por lei. Esse comportamento acontece mais de duas vezes por mês, segundo os motociclistas entrevistados.

Esse estudo aponta que o cerco ao uso de álcool no trânsito não tem impedido o consumo de bebida ou drogas. Apesar de só 6,5% dos motociclistas entrevistados terem sido reprovados no exame do bafômetro (etilômetro), 13% admitiram que haviam bebido naquele dia.

Outras drogas psicotrópicas também estão presentes na vida dessa classe de condutores de veículos. O estudo diz que 5,1% usam maconha e 3% consomem cocaína.

Para o professor Flávio Pechansky, autor do estudo, “são dados alarmantes. Infelizmente, os números não nos espantam, mas são ilustrativos, mostram uma forte associação entre o abuso de substâncias e os acidentes”.

Do total de motociclistas pesquisados,  segundo  a  Senad,  cerca  de  10% são dependentes de álcool. Os acidentes de trânsito envolvendo motoqueiros preocupa o Ministério da Saúde. De acordo com o mapa da mortalidade do Brasil, divulgado recentemente, o número de motociclistas mortos em desastres saltou de 299 em 1990 para 6.734 em 2006 – um aumento de 2.252% no período.

Para Marli Silva Montenegro, da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério, “o aumento da frota de motos no país explica, em parte, a estatística. O veículo se tornou, nos últimos anos, uma alternativa barata nas grandes cidades e no interior e criou um relativamente novo nicho de trabalho”.

Já Flávio Pechansky acredita que o problema acontece por uma combinação de fatores, como a idade média dos motoqueiros e o fácil acesso às drogas. Segundo ele, “o aumento do poder aquisitivo entre a população de baixa renda fez com que essas pessoas comprassem veículos de baixo custo, entre eles a moto. A combinação do fator juventude (grande parte dos motociclistas é jovem) e o fácil acesso às drogas, associada a uma baixa percepção de risco, faz com que essa combinação de elementos leve a esse quadro”.

Segundo Pechansky, alguns estudiosos sugerem que o teor alcoólico mínimo exigido dos motoristas seja menor do que aquele cobrado dos motoqueiros. Ele diz: “É mais difícil pilotar uma moto embriagado do que dirigir um carro”. Evidente, não é, mestre!?

Um dos exemplos mais preocupantes é  o  da  capital  gaúcha.  De  acordo com o levantamento, 43,6% dos motoboys de Porto Alegre são dependentes de álcool. Outros 39,5% abusam da maconha e 32% são dependentes de cocaína. Há ainda 11% de motoboys dependentes de solventes, como tinner e cola de sapateiro. O levantamento foi feito com 101 motociclistas profissionais de Porto Alegre.

E o professor Pechansky sentencia: “O percentual de motoboys com abuso de álcool é muito acima da média da população geral”.

Aí reside um grande problema a ser enfrentado pelas autoridades de trânsito: o etilômetro, o popular bafômetro, detecta o grau ingerido de bebida alcoólica pelo condutor de veículo, de quatro, duas rodas ou mais. Apenas isso. Se o averiguado tiver feito uso de tóxico, dificilmente será descoberto, a não ser que esteja caindo de dopado, ou sejam feitos exames de sangue, após um eventual desastre, caso contrário, passará totalmente batido por qualquer blitz do policiamento de trânsito, tanto em estrada como em áreas urbanas.

Diante do número cada vez maior de drogados ao volante, já está na hora de se aprimorar algum equipamento semelhante ao bafômetro também para tirar de circulação esses malucos sob efeito de entorpecentes, para que tenhamos um ano de 2010 muito mais seguro e menos sangrento nas nossas ruas, avenidas e estradas...

 

  

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados