Big brother contra o crime

A nova arma da Polícia Federal para vigiar e combater o crime na região de fronteira é imperceptível a olho nu, voa com uma autonomia de 37 horas, a uma distância de 10 quilometros da terra – altura de cruzeiro – e pode acompanhar o alvo em tempo real, ao vivo e a cores.

Um voo experimental do primeiro Veículo Aéreo Não Tripulável (Vant) foi presenciado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro e pelo diretor-geral da Polícia Federal, delegado Luiz Fernando Corrêa, na primeira base de operações do projeto, em São Miguel do Iguaçú, no Paraná.

O novo avião, de tecnologia militar israelense e com uma envergadura de 10 metros, munido de radares com câmeras fotográficas e de vídeo de alta precisão – que podem ser utilizadas a qualquer hora do dia – pode voar por uma extensão de mil quilometros ininterruptos, transmitindo imagens nítidas de alvos em movimento, captados via satélite na Terra.

Durante o voo experimental as autoridades puderam acompanhar, numa base improvisada, as imagens transmitidas pela aeronave. O governo vai gastar R$ 114 milhões para implantar a primeira fase do projeto, que terá 14 aeronaves e priorizará a região da fronteira do Brasil com Paraguai e Argentina.

Já estão instaladas quatro bases, uma delas em Brasília, que abriga também um centro de treinamento para operadores do sistema. As outras três estarão funcionando a pleno vapor  até  o  mês  de  março  em  Manaus, Porto  Velho  e  Foz  do Iguaçu. Mas a Polícia Federal vai estender a vigilância aérea a todo o território nacional.

O Ministério da Justiça está com recursos e vontade política para a implantação do Vant. Os recursos para a primeira fase já estão assegurados no orçamento do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci), a vitrine do Ministério da Justiça para o setor.

O delegado Luiz Fernando Corrêa explicou que a tríplice fronteira foi escolhida como piloto por seu simbolismo estratégico como porta de entrada do contrabando e tráfico de drogas e armas. A PF é a primeira polícia do mundo a utilizar aviões não tripulados e se antecipa até mesmo às Forças Armadas, que também querem a tecnologia, mas por enquanto estão avaliando as propostas. Seu foco é a segurança nacional.

Já a PF visa inicialmente o crime organizado e a cooperação internacional. Seu alvo inicial será o monitoramento de movimentos estranhos na região de fronteira e, especialmente, na Amazônia. A PF faz testes há 12 dias e já se certificou da eficácia do sistema. É possível, por exemplo, fazer o acompanhamento completo do trajeto de um veículo ou pessoa que cruzem a fronteira.

A PF usará a ferramenta também para auxiliar nas operações em conjunto com países vizinhos, como o Paraguai, Colômbia, Bolívia e Peru. Até agora apenas o Paraguai tem convênio com a polícia brasileira.  

Embora o projeto comece pela tríplice fronteira e seu destino inicial seja o combate ao contrabando, tráfico de drogas e armas ou crimes ambientais, nada impede que os equipamentos sejam usados para rastrear também outros alvos da Polícia Federal ou de órgãos de segurança e informações internacionais com os quais há tratados de cooperação.

A tríplice fronteira é uma área de permanente suspeita internacional por conta do avanço do terrorismo no mundo. As agências secretas de países como os Estados Unidos e Israel – os maiores alvos desses grupos extremistas – mandam seguidos informes sobre a movimentação de terroristas ou de transações financeiras entre as organizações suspeitas e pedem a colaboração brasileira para localizá-los. Até agora não há casos comprovados.

Essa cooperação internacional, agora alavancada com a utilização desse verdadeiro “big brother” contra o crime, só fará aumentar a credibilidade brasileira junto ao concerto das nações. E, para nós brasileiros, servirá de garantia de maior e mais eficiente segurança para as nossas riquezas ambicionadas por estrangeiros, particularmente o Amazonas.

  

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados