O perigo do Estado-traficante

 

O noticiário recente dá conta de que o Ministério da Justiça resolveu apoiar o fim da prisão para pequenos traficantes de drogas que não tenham cometido atos de violência e não apresentem vínculo com organizações criminosas.

Peraí, quero entender! Para os luminares do Ministério da Justiça, o que significa “pequeno traficante”? Seria o de baixa estatura ou aquele que poderá vender, por hora, dia ou mês determinada quantidade de entorpecente? E como dosar essa quantidade?

Mais: exigem que o traficante pequeno “não apresente vínculo com organização criminosa”. Quer dizer o quê isso? O traficante ou candidato a tal só seria considerado ligado ao crime organizado se apresentasse carteira de trabalho assinada pelo PCC ou pelo Comando Vermelho?

Peço que os leitores desculpem minha ironia diante de tanto disparate “oficial”. A mídia ainda repercute recentes assassinatos cometidos, um no Rio, em que um jovem viciado em crack enforcou a namoradinha em plena crise de abstinência e foi preso em flagrante denunciado pelo próprio pai.

Aqui em São Paulo, difícil de esquecer do jovem neto do grande e saudoso delegado de polícia Murilo Macedo Pereira que, dopado com cocaína, numa manhã de domingo, esgorjou (cortou as gargantas) da avó e da empregada doméstica dela, no bairro do Campo Belo.

Não esqueçamos também o caso da  jovem  estudante  de  direito  Suzane, filha de gente bem postada na vida que, levada pelo namoradinho e o irmão dele, ambos fumadores de maconha, trucidaram sob os olhares da garota em plena nóia, pai e mãe dela que dormiam na mansão da zona sul.

Pessoas que não são do ramo, que conhecem o problema só por fazerem ou terem feito uso de tóxicos, põem-se agora a opinar como se salvadores da pátria fossem. Desconfio muito dessas figuras carimbadas, algumas sobejamente conhecidas da Polícia, por antecedentes nada elogiosos.

Causa-me perplexidade quando ouço ou leio afirmações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em favor dos viciados em drogas, querendo afastá-los de punição. Se não como ex-professor, que FHC agisse ao menos como exemplar e preocupado avô ou até bisavô, mas que não posasse fazendo o jogo do inimigo, tal qual um inocente útil, coisa que não admito dizer que ele é. E muito menos que esteja a serviço do crime verdadeiramente organizado. O que haveria por trás de tudo isso?

Gente aparentemente gabaritada deveria saber que o narcotráfico, atualmente, movimenta mais de 400 bilhões de dólares anualmente em todo o mundo. E para tal, necessita de uma grande rede de distribuição. E quem são os distribuidores, os “mulas” ou “aviõezinhos” senão os pequenos entregadores, vendedores das pedrinhas de crack, do pó branco ou da marijuana, sem contar com as chamadas drogas pesadas, como ópio, morfina, e quetais.

Fala-se que na proposta a ser encaminhada ao Congresso Nacional,  sob o patrocínio governamental, a pena alternativa seria incentivada aos pequenos traficantes. Que horror! Esses “achólogos” de plantão desconhecem que a reincidência criminal, hoje, beira a 80%.

Ignoram, ainda, que trabalho comunitário não é aconselhável por nenhuma autoridade a traficante, passador ou intermediário de quem mexe com tóxicos. Era o que faltava! Exigir trabalho comunitário de um pequeno traficante como educador infantil?!

O nada saudoso Mário Covas, quando governador, implantou a entrega oficial de seringa hipodérmica e outros apetrechos para aidéticos viciados em drogas injetáveis na cidade de Santos. Belo exemplo governamental: ao invés de montar clínicas, construir hospitais e formar especialistas para tratamento desses doentes, o espanhol cabeça dura – como era conhecido por seus seguidores – criou o Estado-traficante. Os fornecedores de drogas o veneram até hoje...

A população está aturdida, as famílias de viciados não têm mais a quem recorrer, e alguns políticos em busca de 15 minutos de fama ou de financiamento eleitoral por parte do crime organizado, inventam mais essa. Crime de lesa-pátria, isto sim, que deveria ser eliminado no próprio ninho...

 

 

 

 

   

 

 

 

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AFANASIO JAZADJI - © 2008 - Todos os direitos reservados